Vale a pena ver de novo

O Movimento Passe Livre (MPL) volta a mobilizar a população contra o aumento da tarifa no transporte público. Famosos por articularem as grandes manifestações de junho de 2013, o MPL propõe o retorno da população às ruas para defender a mobilidade urbana acessível, após o aumento repentino de R$ 3,00 para R$ 3,50 no bilhete de ônibus e metrô em São Paulo.

A organização se intitula apartidária, porém não é contra a participação dos partidos políticos populares, o que se pode constatar com as bandeiras que acompanham as passeatas. A iniciativa do MPL para 2015 é procurar o apoio de outras frentes de luta popular, como o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), na finalidade de engrossar os protestos com todos aqueles que estão insatisfeitos com a gestão pública municipal. Vale lembrar, a reivindicação dos participantes é uma só, derrubar o aumento da tarifa e garantir transporte de qualidade.

O MPL rebateu as críticas de que o ato fosse direcionado para a classe média mudando a localidade usual das passeatas para as zonas periféricas da cidade, como foi o caso da última passeata de terça-feira, 20. E ao contrário do que muitos poderiam supor, o último ato foi o mais organizado e pacífico dos três já realizados neste ano em São Paulo.

Para os que estiveram presentes no ato, foi interessante observar que quando não há uma agência bancária, uma loja de departamento estratosférica ou qualquer tipo de extravagância do sistema capitalista, simplesmente não existe o interesse do governo em proteger a propriedade e o “bem estar da população”. A polícia militar (PM) não fez o cordão de isolamento nas laterais do protesto enquanto a passeata seguia por zona residencial, é possível dizer que mal estavam ali. E por coincidência (ou não) não houve tumulto.

Mas, como nem tudo são flores, os ânimos acirraram quando a passeata optou por caminhar pela Avenida Radial Leste, daí sim a presença da PM, ainda que de forma muito reduzida. O protesto de terça-feira mostrou uma realidade interessante para os que estavam presentes – quando não há polícia, a violência não acontece.

Ao contrário do que tentam convencer a população, os verdadeiros agentes do terror não são uns garotos encapuzados, que veem naquilo tudo mais uma diversão do que uma militância. Os donos da briga são aqueles que carregam armas a mando de alguém. Uma verdade um tanto óbvia e escancarada na última terça-feira. Mas sabe-se lá como, quase ninguém vê.

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