Vá de bike

Uma coisa é certa nesse mundo em que vivemos, o investimento aumenta a demanda, e quanto mais avenidas, túneis e viadutos construirmos, mais carros irão brotar nas ruas das grandes cidades brasileiras. Porém, chegamos ao limite.

Poluição atmosférica, trânsito, espaço, segurança e stress são alguns dos principais problemas comuns de todo o cidadão urbano e, por mais lógico que pareça a resposta – bicicleta – ainda não caiu no senso comum do brasileiro.

O uso de bicicletas não é a fórmula mágica instantânea para todos os problemas citados anteriormente, porém é um fator chave que perpassa e redimensiona o funcionamento dessa máquina engastalhada chamada mobilidade social urbana.

O caso São Paulo

A proposta de gestão do atual prefeito Fernando Haddad (PT) é construir em São Paulo uma malha de ciclovias equivalente a de grandes metrópoles reconhecidas pelo uso de bicicleta como Berlim e Paris. No entanto, para que as faixas exclusivas sejam instaladas, será preciso extinguir em torno de 400 mil vagas de estacionamento e é daí que chovem as críticas com esse tipo de reforma.

Os usuários de carro reclamam que tais medidas irão prejudicar a mobilidade dos carros e aumentar a demora no trânsito. O mesmo foi dito quando os corredores de ônibus foram instalados.

O prefeito declarou que se trata de uma questão “cultural”. Com medidas educacionais é possível reverter a mentalidade do morador de São Paulo: “Depois que 90% das pessoas tiverem entendido, o resto você pune com intensificação das fiscalizações, mas o início é pedagógico”.

A transição não é fácil, a cidade vem sendo pensada para os carros por mais de 50 anos e foi preciso chegar ao ponto onde estamos para percebermos que tomamos a direção errada na forma de construir a nossa cidade.

O ponto mais positivo das bicicletas é a economia financeira em relação ao carro e ao transporte coletivo. Também há a previsibilidade de tempo entre o lugar de saída e o local de destino, coisa que o trânsito de São Paulo simplesmente não permite. Isso sem mencionar os benefícios físicos, emocionais e ecológicos que permeiam a atividade.

O grande problema é que o carro nunca foi apenas um meio de locomoção, ele é, sobretudo, um bem de consumo que agrega status ao seu proprietário. Quanto mais caro for o veículo, maior é o poder aquisitivo do proprietário e sua exclusividade dentro da sociedade.

De qualquer forma, a contra gosto de muitos, a cidade é uma só para muita gente, e não há como garantir uma exclusividade entre 11 milhões de habitantes sem prejudicar ninguém.

O caso é o seguinte, essa exclusividade tão bem comercializada pelos meios de comunicação – o carro –  não leva ninguém a lugar nenhum. No caso de São Paulo, literalmente.

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