Uma cidade para o imigrante

A cidade de São Paulo abriga mais de 90 mil imigrantes bolivianos em uma população de 360 mil estrangeiros. Depois dos portugueses, a maior nacionalidade é a boliviana e em terceiro, a japonesa. Ainda assim, há pouca visibilidade para as manifestações culturais dos estrangeiros latinos residentes na cidade, muito por conta da marginalização dessas culturas em detrimento da europeia e norte-americana. De qualquer forma, apesar dos preconceitos, uma comunidade tão grande não passa despercebida e nem deixa de influenciar de maneira profunda o espaço onde mora.

Tendo em vista essa realidade, de uns tempos para cá, novos projetos sociais estão surgindo devido à necessidade de amparar esse público não apenas em questões assistencialistas mais fundamentais, como educação, saúde e moradia; mas também pelo viés do entretenimento e do fazer cultural. São iniciativas que trabalham com o direito do imigrante de criar e reconhecer a sua identidade em terra estrangeira.

A equipe do projeto Microcine Migrante mostra produções audiovisuais, de forma itinerante, em regiões com grande circulação de público, explorando os temas: migração, imigração, deslocamento de pessoas e a realidade dos moradores recém-chegados na cidade de São Paulo. O projeto pretende gerar uma empatia entre o espectador e as exibições, além de abrir espaço para um segmento pouco representado na agenda cultural da cidade. É um coletivo formado por colombianos, chilenos, bolivianos, portugueses e brasileiros, que juntaram forças e conhecimento para discutirem a questão da imigração e de que forma ela transforma o cenário artístico contemporâneo.

Outro trabalho exemplar é feito pela galera do Visto Permanente. O pessoal criou uma plataforma onde qualquer representação artística de nacionalidades diferentes tem o seu espaço. Além de documentarem o talento de musicistas de diversos países, também divulgam onde acontecerão as apresentações desses grupos, fazendo não apenas a exibição do trabalho desses artistas, como também convidam a população a conhecê-los melhor ao vivo.

Os 90 mil bolivianos e os 350 mil imigrantes de diversas origens espalhados pela cidade de São Paulo têm o direito de se projetarem como agentes transformadores da nossa cultura. Assim como as grandes levas migratórias das décadas passadas transformaram o que somos hoje, os recém-chegados enriquecem o que seremos amanhã. Se não há espaço para alguma coisa nessa cidade é para o preconceito em relação a essa gente que chega e transforma tanta coisa de maneira tão espetacular.

Não acredita? Então confira:

Visto Permanente
Microcine Migrante

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