Um voto para a paranoia

Duas explosões em New Jersey reanimaram os debates sobre terrorismo na corrida presidencial, no último sábado. A primeira detonação deixou 29 feridos e a segunda, devido a um atraso em uma corrida beneficente, não atingiu civis. O suspeito é Ahmad Khan Rahami, um afegão de 28 anos, residente no país desde os 12 anos de idade e naturalizado cidadão americano. Trump voltou a falar em controle de estrangeiros e Hilary atacou o adversário pelos comentários xenófobos.

Rahami foi identificado pela impressão digital encontrada na bomba e pelo celular acoplado ao mecanismo. Autoridades sugerem que seja ele quem aparece nas gravações captadas por várias câmeras de segurança, tanto na Rua 23 de Manhattan, no bairro de Chelsea, onde explodiu uma das bombas, como na Rua 27, lugar o qual o artefato não explodiu.

Ele não consta na lista de supostos terroristas do FBI e nenhuma facção respondeu pela autoria do atentado. Segundo diferentes veículos de informação, ele teria viajado muitas vezes para o Paquistão e Afeganistão nos últimos anos, o que não é incomum para um afegão, e as fontes policiais ainda investigam se as bombas são de fato obra de uma mesma pessoa.

Ahmad Khan Rahami foi indiciado nesta segunda-feira, 19, por cinco acusações de tentativa de assassinato pelo tiroteio com policiais em sua captura e recebeu a fiança de 5,2 milhões de dólares.

As investigações caminham para descobrir se Rahami agiu sozinho e se há motivações políticas ou religiosas nas tentativas de atentado. Enquanto isso, a segurança na cidade de Nova Iorque e região foram reforçadas.

Disputa política

O candidato Donald Trump se esbaldou em críticas sobre a conduta de Barack Obama com a comunidade estrangeira residente nos Estados Unidos e aproveitou os atentados para inflamar os ânimos contra a comunidade islâmica. Suas declarações foram criticadas pela rival democrata Hillary Clinton. Ela afirma que declarar guerra contra o Islã é justamente o intuito do EI e dos terroristas. De acordo com a candidata, Trump cria assim o cenário ideal para os adversários do país. Em comício após as críticas de Hillary, Trump não deu sinais de abalo. Ele continua com um tom agressivo e ultraconservador, enquanto a plateia na Flórida, onde ocorria o comício, gritava “enforquem ele”, referindo-se a Rahami.

O grande medo internacional é que as barbaridades afirmadas pelo candidato Donald Trump são aceitas e repercutidas dentro de uma parcela da sociedade norte-americana. Quando o público do comício grita “enforquem ele” para um afegão, não é difícil imaginar quantos negros há  pouco ouviram a mesma sentença.

A sociedade norte-americana não brinca, não brinca e assusta, por mais que a piada seja Donald Trump para a presidência.

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