Um período sombrio

Nos dias 13 e 15 de março acompanhamos novas manifestações nas principais capitais refletindo o descontentamento com o atual cenário político brasileiro. No dia 13, de acordo como Instituto Datafolha, 41 manifestantes reuniram-se na Paulista em defesa da presidenta, em resposta antecipada ao ato do dia 15. Mais uma vez, assistimos a sociedade brasileira se polarizar aos moldes das últimas eleições.

Porém, não se trata de mais um embate democrático entre duas correntes políticas divergentes; dessa vez, a oposição tenta desbancar a presidenta no bate panela, e clamam por democracia quando o fazem, como se as decisões eleitorais não fossem legítimas, porque não saíram como planejado.

Apesar do exagero no número de participantes na segunda passeata, é verdade que havia muito mais gente pedindo a cabeça de Dilma Rousseff do que disposta a defendê-la. O Partido dos Trabalhadores (PT) tomou distância das frentes populares com medidas restritivas ao trabalhador e já não se vê, com muita clareza, quem colocaria todas as fichas nesse segundo mandato da presidenta; mas impeachment?

Há de convir que tirar Dilma Rousseff do governo não é novidade. Desde o resultado das urnas em outubro, fala-se até em terceiro turno e recontagem de votos. É verdade que nunca tivemos uma eleição tão estreita na história, mesmo assim, pelo amor, não exageremos nos calos da derrota.

Para que haja exoneração é preciso provas inegáveis de corrupção envolvendo a figura presidencial; conjecturas especulativas de uma operação ainda não concluída não são suficientes para desempossar nem um vereador, muito menos o maior cargo administrativo do Brasil. Desculpem-me pelas más notícias – presidentes não são derrubados no grito.

Existe corrupção no governo brasileiro e isso deve ser fortemente punido doa a quem doer, mas não é possível que as pessoas sejam tão inocentes a ponto de pensar que o mau comportamento seja exclusivo do PT nas bancadas oportunistas do senado. Se a operação Lava jato for realmente séria, como todos esperamos que seja, haverá uma lista de nomes do alto escalão a serem investigados e só Deus sabe quais cabeças vão rolar.

Simpatizantes ou não do dia 15, devemos nos preocupar com o rumo dos acontecimentos. Apesar da algazarra desorientada e de demandas esquizofrênicas de melhoria imediata, as passeatas dos dias 13 e 15 nos mostraram o presságio de um cenário político complicado.

Se empatávamos por pouco há alguns meses, agora “a esquerda” é a minoria, órfã de representatividade em um país onde as esperanças de melhora andam cada dia menores. Há uma tendência ao conservadorismo, vazio em justificativas, violento e excludente; reflexos de anos de ditadura militar e governos elitistas que, por milagre internacional, tiveram altas taxas de crescimento econômico. O desenvolvimento vai mal, é verdade, mas não é o caso de mudarmos o comandante do barco. Isso traria apenas mais incerteza para os investidores internacionais. Se a preocupação é essa, então, por favor, avisem essa gente que não é bem por aí.

Passamos por um período sombrio. Porque mesmo com o acesso livre à informação em todos os seus vieses, boa parcela da população é facilmente manipulada e iludida pelos reclames do plin plin e pela parcialidade dos grandes jornais. E não adianta esbravejar mais alto, eles taparam os ouvidos. O que nos resta é pagar para ver, façam suas apostas.

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