Triste fim para Charlie Hebdo

O atentado do último dia 7 na redação do jornal satírico Charlie Hebdo deixou 12 vítimas e muitas questões para a comunidade francesa e europeia. Passeatas e mais passeatas pedem pela liberdade de expressão de imprensa, enquanto grupos conservadores apropriam-se do calor do momento para legitimarem políticas cada vez mais restritivas à comunidade islâmica, lembremos, uma minoria oprimida e hostilizada em território europeu.

O veículo de imprensa vítima do ataque era famoso pelas ilustrações satíricas contra as instituições e figuras conservadoras. Stéphane Charbonnier, também conhecido como Charb, dirigia a linha editorial do jornal desde 2009, quando alinhou as críticas não apenas aos conservadores, como também ao Islamismo, em uma postura um tanto duvidosa, dividindo opiniões.

Se de um lado havia a liberdade de expressão e crítica (eles bem faziam), de outro, agora servem como ferramenta para a xenofobia e a intolerância religiosa na sociedade francesa.

Vale lembrar que a partir do século XIX, o interesse pelo Oriente começou a tornar-se uma questão econômica, e a primeira região central do mundo islâmico a ser dominada pelo ocidente foi a Argélia pela França, em 1830, situação que perdurou por mais de cem anos.

Desde o século XIX até hoje, existe a ideologia de que o Oriente seja apenas um grande bloco, obscuro, inferior e atrasado em relação às políticas progressistas do ocidente. É evidente que haja a violação dos direitos humanos universais em muitas questões, mas também há a perpetuação de um discurso de dominador para dominado.

O jornal Charlie Hebdo caracterizava-se por uma postura anticlerial. Afirmavam serem contra o islamismo tanto quanto qualquer outra religião. Porém a questão Ocidente e Oriente é ampla, delicada, e resvalar a piada em ideologia é o grande risco de quem se propõe a fazer humor político. De tiragem ácida a bode expiatório, que triste fim o de Charlie Hebdo.

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