Todos torcem para o mesmo time – FIFA

Semana passada, sete dirigentes da FIFA (The Fédération Internationale de Football Association) foram presos durante Congresso que reunia os dirigentes da Associação em Zurique. O FBI comandava as investigações com apoio da polícia suíça. O esquema corrupto da federação perdura há mais 30 anos e está longe de se resumir aos poucos personagens presos na ação da polícia federal americana.

O presidente da maior empresa de marketing de futebol, Traffic, é réu confesso do esquema de propinas da Associação e colabora com o FBI desde o final de 2013. Chuck Blazer é outro personagem na trama, ex-membro do Comitê Executivo da FIFA, Chuck delatou propinas cobradas para subverter votações e comprar empresas que ganhavam com os jogos organizados pela Associação.

O esquema de corrupção internacional atinge diretamente o país do futebol. A Copa do Mundo no Brasil está sendo investigada, e políticos e ex-jogadores pedem a renúncia do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. O ex-jogador de futebol, Ronaldo, já começou a fazer políticas internas dentro da CBF para retirar o presidente do cargo, e o senador Romário incentiva a criação de uma CPI pelo Congresso. Tudo indica que Del Nero irá renunciar nos próximos dias.

Durante a Copa do Mundo do Brasil, em 2014, discussões sobre a corrupção da FIFA e CBF foram levantadas por grupos, organizações e movimentos contrários à realização da Copa no país. Os jogos começaram, e a população esqueceu-se de que a torcida do Brasil, em estádios superfaturados, que custaram a moradia de pessoas e gasto público desnecessário, era, na realidade, a torcida por um futebol corrupto.

O futebol há anos não é mais o esporte do brasileiro descalço na terra. O jogo, infelizmente tornou-se uma máquina de lucro e enriquecimento fácil, aliado à corrupção e à mentira. A futura Copa no Qatar está sendo investigada – centenas de cidadãos morreram na construção de estádios em um país que alcança mais de 40 graus no verão e que não teria condições de ser anfitrião dos jogos.

A população não associa a idolatria pelo time e pelo futebol à máfia que está por trás dele. A paixão do torcedor cega. O choro do 7 a 1 entre Alemanha e Brasil seria melhor empregado agora, ou no momento que os dirigentes da FIFA colocaram seus pés no país. Não se trata de deixar de torcer pelo time do coração, mas de também torcer para que o esporte do brasileiro retome suas raízes. Se aqui é o país do futebol, que seja aqui que comece a democratização do esporte. Nesse momento, mais que nunca, meramente torcer é torcer pela FIFA.

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