Temer em telhado de vidro

Dilma foi afastada do poder por no máximo 180 dias e, a partir de 12 de maio, o presidente da república será Michel Temer, um vice-presidente a quem nenhum brasileiro votou para que governasse sem a presidenta e que, portanto, não possui legitimidade para ocupar a cadeira mais importante da hierarquia política brasileira.

No primeiro dia de governo, Temer já nomeou seu ministério, que vinha anunciando desde antes do afastamento de sua companheira de chapa, o resultado parece uma congregação de cafeicultores de 1920, todos os ocupantes são homens, brancos e ricos. O slogan do novo governo também mudou, de Pátria Educadora para Ordem e Progresso, as duas palavras positivistas que envergonham a bandeira nacional. Em um dia, o país voltou à República da Espada.

Dilma Rousseff não teve um bom governo, seja por sua inabilidade política, seja por concessões a ruralistas e grupos conservadores. A perda de legitimidade dentro do governo e a regressão do PIB brasileiro afetaram a opinião pública tomadora de decisões. Em outras palavras, a elite, que foi às ruas trajadas de torcedores do Brasil pedir a retirada da presidenta.

Porém, quem entra em seu lugar é o primeiro presidente declaradamente ficha suja do país, por ter doado fundos eleitorais acima do teto para dois candidatos. A condenação é do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo. O presidente pode exercer sua função, mas pode ser impedido de concorrer a outro cargo no futuro.

Em apenas um dia e poucas horas, houve a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Talvez a escolha seja para ornar com seus novos ministros. As ruas de várias cidades brasileiras tiveram protesto contra a retirada de Dilma, o que significa que a opinião pública está fortemente dividida. A esquerda se fortifica diante de um governo que pode vir a regredir os direitos sociais.

A pergunta é quanto tempo Temer ficará no poder. O enxugamento de Ministérios significa menos cargos aos seus aliados e, portanto, menos governança. Essa infelizmente é a realidade. Em um contexto tão frágil, o novo governo toma decisões fortes demais em um telhado de vidro. Talvez fosse o momento de não gastarem muito com a impressão do novo slogan do Ordem e Progresso, que pode vir a habitar os porões do planalto ou serem pendurados em algum museu por aí.

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