Tchau querido

Afastar Eduardo Cunha da Câmara dos Deputados tornou-se um exercício de paciência. Foram tantos estratagemas que há quase 1 ano a votação dessa segunda-feira se estende pela Câmara, e quase não sai. Pois a sessão precisou ser postergada em 1 hora pela falta de quórum. Votações feitas e o impossível finalmente aconteceu – Cunha está fora da Câmara.

Para surpresa geral, o PMDB e os partidos de “centrão” (PSD, PP, PR, PTB e PRB) abandonaram o político. Foram 52 votos de 66 do PMDB a favor da cassação e 33 de 35 nos partidos aliados menores. Para acontecer o afastamento, era preciso haver 257 votos a favor entre os 513 deputados. Na reta final, Cunha teve apenas 61 deputados ao seu lado.

O político é acusado de articular e obstruir as investigações federais contra ele na operação Lava Jato. Ele também responde por denúncias de contas bancárias secretas no exterior e por ter mentido em depoimento quando negou a existência delas. Em julho desse ano, Cunha renunciou de seu cargo na tentativa de salvar o mandato.

Desde muito cedo, Cunha descobriu a chave do sucesso no sistema político brasileiro, alianças e financiamento, e não parou de prosperar; até a cassação dessa segunda-feira.  Seu bom relacionamento com o empresariado brasileiro permitiu a ele não apenas captar financiamento para as suas próprias campanhas, como também auxiliar outros políticos. Ou seja, onde existia um dinheirinho, Cunha intermediou, e não é por menos que vemos verdadeiros absurdos entre os deputados para livrar a sua figura de qualquer punição.

Cunha também é um representante da bancada evangélica da Igreja Universal, o que garante a ele uma votação expressiva em eleições. Faz parte do maior partido político da atualidade, o PMDB, e angaria para si a fama de inimigo número 1 do PT, posicionamento que, em algum aspecto, garantiu a sua permanência até o desfecho de impeachment da presidenta. Ontem, ele discursou em sua defesa: “O que está levando à minha cassação é a política. Eu fui vítima de uma vingança política em meio ao processo eleitoral”. Sem constrangimento algum, Cunha rouba as palavras da sua inimiga, Dilma Rousseff, para se desvencilhar das acusações.

Eduardo Cunha é afastado da presidência da Câmara e perde seus direitos políticos até 2027. Desse cara de pau, por enquanto, estamos livres. Evito bordões mas, nesse caso, não resisto: tchau querido, já vai tarde.

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