Sudão do Sul: Um Povo Ainda Sem Pátria

O Sudão, região a nordeste da África, passou por duas guerras civis desde 1955, e teve sua independência da União Anglo-Egípcia em 1956. Em 2011, o Sudão do Sul tornou-se o país mais jovem do mundo por meio de referendo, após os conflitos de Darfur, lembrado por todos com uma catástrofe humanitária. Trata-se de um país cuja única realidade é a guerra. Em dezembro de 2013, o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, destituiu o vice, Riek Machar. Presidente e vice pertenciam a distintas etnias e o temor é que haja mais uma guerra étnica com conseqüências catastróficas para o jovem país. A realidade sudanesa parece distante e difícil de ser compreendida, mas não deixa de ser diferente do que acontece nas partes esquecidas do Brasil e de outras nações. A diferença é que, nesse caso, transformaram todo um país em periferia – a periferia do mundo.

Uganda, ao sul, recebe número cada vez maior de refugiados. Lá, encontram-se organizações internacionais como Médicos sem Fronteiras e campos de refugiados assistidos pelas Nações Unidas. Sul-sudaneses atravessam a fronteira em busca de abrigo e dirigem-se às missões de paz da ONU no próprio Sudão do Sul. A situação é precária e não há alimento para todos. O país está à beira de uma guerra civil entre forças do governo e anti-governo, e a violência força os deslocamentos. De acordo com a ONU, atualmente, mais de 12 mil civis procuram abrigo, a maior parte mulheres e crianças. Desde dezembro, em média 75 mil pessoas foram abrigadas por missões da ONU.

As notícias de jornais não aproximam o indivíduo comum da catástrofe que está acontecendo. Pessoas inocentes estão fugindo para não serem mortas por armas ou fome. Crianças no Sudão formam milícias armadas, e as que conseguiram se recuperar, após décadas de conflitos, carregam as sequelas da guerra. Há toda uma população que não aguenta mais fugir.

A missão de Paz da ONU para o Sudão do Sul temporariamente congelou suas atividades para receber pessoas à procura de abrigo. Estados Unidos, Inglaterra, União Europeia e Noruega ameaçam colocar sanções contra o país, se um acordo entre as diferentes lideranças étnicas não for firmado. Nesse caso, sanções econômicas podem ser devastadoras em um país que já sofre privações. Vítima de dominações distintas e formações de falsas linhas territoriais, o Sudão do Sul sofre as consequências da independência tardia e de guerras sectárias.

Diante da continuação de uma das maiores crises humanitárias do mundo, pouco se sabe e pouco se fala sobre a crise sudanesa. O Sudão do Sul faz parte da periferia internacional, que como a nacional, incomoda o falso ideal de riqueza propagado pela economia mundial. A morte por fome e conflito desequilibra a sociedade preocupada com seus afazeres diários, mas existe, tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto, quando se pensa nas periferias e no interior do Brasil. Pensar nos sul-sudaneses é também pensar em nossos esquecidos.

 

 

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