Reino Unido pede para sair

Na última quinta-feira dia 23, 384 distritos do Reino Unidos participaram de um plebiscito onde decidiram sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia. Os ingleses decidiram se desconectar por 51,9% dos votos contra 48,1% ou seja, a maioria simples escolheu deixar o bloco. E agora? O que podemos esperar com essa possível súbita saída?

Não se fazia um plebiscito no Reino Unido há mais de 40 anos e, ainda assim, a consulta popular registrou índices históricos de comparecimento. A decisão deixou os membros da UE de cabelos em pé, e os mercados mundiais ainda observam de que forma devem agir mediante a decisão popular.

O Parlamento tem poder de veto sobre as urnas, porém coibir a decisão da maioria dos súditos da coroa seria, de fato, suicídio político. Caso a saída se efetive – porque o plebiscito, apesar de contundente, não é decisivo -, o Reino Unido terá cerca de dois anos para adaptar-se à nova realidade e efetivamente alterar suas políticas nacionais em detrimento da União.

A campanha pela saída foi batizada de Brexit, fusão entre as palavras: inglês e saída, no idioma inglês, e é fomentada majoritariamente por partidos ultraconservadores, apesar de dividir opiniões até mesmo dentro da bancada conservadora no Parlamento inglês, tanto divide que, nunca houve uma campanha eleitoral onde se prometeu o separatismo.

Especialistas entendem o Brexit como uma articulação para peitar as demandas fiscais do bloco, ou seja, seria uma maneira de confrontar o capitalismo internacional. Porém, ao fazê-lo, a população se apoia em uma política nacionalista e xenofóbica aos moldes do candidato à presidência norte-americano Donald Trump, o qual, por sinal, felicitou o Estado pelo resultado. O mote maior da campanha é a presença dos imigrantes roubando postos de trabalho e saturando os serviços públicos.

A decisão de saída será brutal para a economia dos países da rainha, uma vez em que metade das exportações da Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales é absorvida pela UE. A desvinculação também causa sérios dados à imagem da comunhão entre os países membros, haja vista, Escócia e Irlanda do Norte não aceitam sair da União Europeia, além de prejudicar milhares de imigrantes tanto europeus quanto estrangeiros residentes nos quatro países.

Porém, apesar dos evidentes desgastes econômicos e das possíveis represálias comerciais, os propagandistas da Brexit conseguiram convencer boa parte da população a deixar o bloco, apelando para os preconceitos mais simplórios contra estrangeiros. Também houve a perversa simplificação de uma escolha sim ou não para algo mais complexo. Talvez, se houvessem feito um plebiscito onde se escolhia aceitar os estrangeiros ou culpá-los pelas deficiências públicas, o resultado das urnas fosse exatamente o mesmo porque, no final das contas, os ingleses votaram pelo fechamento da fronteira, independente dos danos em longo prazo.

No entanto, se o plebiscito é democrático ou não, certo ou errado, isso já é outra história. Teoricamente, a decisão por maioria simples é uma das ferramentas mais diretas e claras da democracia; uma vez feita a apuração da preferência da maioria, não adianta lamentar sobre o leite derramado.

Daqui, podemos apenas assistir às reverberações políticas e econômicas do que está por vir. Uma coisa é certa, é a primeira grande baixa no poderoso bloco econômico europeu.

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