Manipulação nas redes sociais

O ser humano nasceu com a habilidade do convencimento, e desde tempos remotos o utiliza para conseguir benefícios próprios. As redes sociais do mundo moderno conhecem o poder que possuem para induzir ações humanas. Essa semana, o Facebook foi acusado de manipular sentimentos de usuários para experimentos. Novamente, levanta-se a questão de até que ponto temos controle sobre nossas vontades.

Com o capitalismo fordista, no século XX, os mecanismos de indução de comportamento tornam-se cada vez mais desenvolvidos, baseados em estudos freudianos de interpretação da mente humana. Nessa época, as relações públicas e propaganda transformam-se em propulsores do consumo. O sobrinho de Freud e pai das relações públicas, Edward Bernays, após propagandear a Primeira Grande Guerra para o governo americano, percebe que a propaganda de guerra poderia ser usada em tempos de paz: ”propaganda se tornou um palavrão por causa dos alemães que a usavam. O que eu fiz, foi tentar usar outras palavras. Daí encontramos a expressão Assessoria de Relações Públicas”. Bernays consultava psicanalistas para saber o que as pessoas pensavam de um hábito, para persuadi-los a adotarem outros costumes. Com o comparativo entre cigarro e liberdade, Bernays conseguiu introduzir o consumo de cigarro entre mulheres.

De lá para cá, a publicidade se aprimorou. A navegação em rede facilitou a interação humana e o controle da relação entre os indivíduos, o que abriu novos caminhos para a massificação de pensamentos. As redes sociais, por exemplo, são fechadas e controladas por grupos que, se desejarem podem desenvolver manipulações de pensamento, como Bernays fez um dia.

O Facebook, de Mark Zuckerberg, anunciou essa semana ter realizado experimentos em conjunto com a Universidade de Cornell e da Universidade da Califórnia, para testar a reação de indivíduos diante da mudança de seu feed de notícias. Feeds negativos geravam reações negativas, e positivos, reações positivas. O fato, tratado como mais um estudo científico por seus realizadores, assustou os internautas. O experimento prova a facilidade de alienar e massificar o pensamento de indivíduos por meio das redes sociais.

O Facebook provou ser capaz de manipular as pessoas e, pelos termos de contrato contido naquelas pequenas letras que os internautas não leem, fazê-lo legalmente. O preocupante é saber se todos têm a noção do quão estão vulneráveis diante das redes sociais. Seria mais uma maneira de estarmos suscetíveis ao convencimento, porque há alguém no controle das idéias. Não deixa de ser mais um fenômeno de direcionamento comportamental, hoje feito pelas redes, mas que no passado foi idealizado por religiões, governos e empresas.

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