Quem poderá defender Dilma?

São muitos os dispostos a ir para a rua para retirar Dilma Rousseff do poder, mas poucos os inclinados a defendê-la no campo de batalha. Dia 13 de março, haverá protestos em todo o Brasil pelo impeachment. Os movimentos que apoiam Lula, como CUT (Central Única dos Trabalhadores) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), estarão presentes em marcha de apoio, porém a maior parte da esquerda se negou a respaldar a presidenta. A guinada de Dilma para a direita para construir coalizões em seu segundo mandato falhou, e uma possível renúncia forçada parece cada vez mais próxima da realidade.

Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), anunciou essa semana que não apenas não apoiará Dilma, como está disposto a ir para as ruas contra seu governo. Isso não significa que se unirá aos torcedores do Brasil em camisas da Fifa no dia 13, mas que irá engrossar as filas da esquerda descontente com a governante.

Por todo o país, o PT (Partido dos Trabalhadores) tenta angariar aliados, seja conversando com partidos de esquerda, como o PSOL (Partido Socialista), seja em movimentos populares. Contudo, a desigualdade social, exacerbada ainda mais com a crise, reflete a falta de democracia no país, o que descontenta a esquerda.

As operações da polícia federal citam partidos de situação e oposição, o que demonstra quão amarrada estão as instituições brasileiras aos interesses políticos e ao enriquecimento individual.  O circo em torno do depoimento coercitivo de Lula, ou do processo de impeachment de Dilma, aberto por Eduardo Cunha, um presidente da câmara acusado de corrupção e enriquecimento ilícito, demonstra o desequilíbrio entre os apontamentos para o PT e para a direita.

A maioria da população não é a favor da saída da presidenta por impeachment, mas são poucos os que estão dispostos a defender um governo que pouco fez pelos direitos dos mais pobres e das minorias. A inabilidade política de Dilma mostrou-se insustentável por mais 4 anos de governo.

Os casos de corrupção, a crise econômica e a simpatia de alguns pela década de 1970 podem fazer com que o desfecho dessa novela Global não seja justiça, mas sim um futuro governo pouco democrático, com interesses individualista e neoliberais.

A imagem do PT não tem como ser reconstruída nos próximos anos, tamanho o desgaste que o governo Dilma condenou sua legenda. As manobras da presidenta parecem ser cada vez mais restritas, como um rei encurralado em um jogo de xadrez. O impeachment já se sabe que não haverá, pois a renúncia é mais digna. Basta esperar até onde o PT está disposto a ir para defender um governo.

A guinada à direita acontecerá assim que a legenda sair do poder, pois o PT, com suas concessões, desgastou sua própria imagem e a da esquerda. A democracia e a justiça social deverão ser defendidas pelos brasileiros que acreditam nela, que podem não ir às ruas por Dilma ou pelo impeachment, mas irão para defender seus direitos, caso não sejam contemplados em um novo governo.

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