A jogatina do quarto poder

Estamos realmente à beira de um impeachment ou pretendem que pensemos dessa forma? São inúmeras as variáveis até a derrocada da presidenta e ainda assim a mídia insiste em nos convencer de que ela cairá a qualquer momento, no máximo amanhã. E a pergunta que paira é a seguinte: quem sai ganhando com a construção da atmosfera pré-impeachment?

Vale lembrar, o golpe militar de 1964 carrega uma semelhança argumentativa assustadora com o cenário atual; uma vez em que a mídia desempenhava o seu papel alarmista, enquanto a classe média pressionava por medidas moralizantes, a tal da ordem pelo progresso.

Convenhamos, não seria nenhuma novidade se mais hora menos hora comprovem o envolvimento de Dilma nos escândalos de corrupção e sim, houve as pedaladas fiscais. Porém, difamar a presidenta, como a mídia faz, acusando sem provas, haja visto que as pedaladas ainda estão sendo analisadas como decisão a ser enquadrada, é no mínimo uma atitude suspeita.

Na semana passada, noticiava-se sobre a debandada de partidos menores para o lado da oposição com a saída do PMDB. O partido realmente deixou a base aliada, como previam os especialistas políticos, e a crise presidencial se agravou. No entanto, o desembarque da legenda se deu mais tímido que o esperado e nem de perto se vê o cataclismo profetizado pela grande mídia.

O PMDB é um dos maiores ocupantes de cadeiras no governo e, portanto, é mais do que natural existirem divergências internas. Kátia Abreu (PMDB), ministra da agricultura, declarou sua decisão de não deixar o ministério, apesar da exigência feita pelo partido. O mesmo se repete com outros cinco ministros e em cargos de segundo escalão.

O fato é evidente – esse grande bloco opositor ainda não encontrou a sua unidade representativa, ou seja, uma legenda para encobertá-lo oficialmente a favor do impeachment. Apesar das declarações explícitas de Michel Temer e Eduardo Cunha, dois grandes nomes na fila de espera da faixa presidencial, não é possível afirmar que todo o PMDB quer derrubar Dilma. De qualquer forma, cantar a vitória antes da hora parece ser a estratégia principal dos adversários do governo.

Os comentaristas dos jornalecos já anunciam melhoras econômicas caso o PT deixe o executivo, o que é uma possibilidade; mas não se deve ignorar a evidente bagunça administrativa com a troca de cadeiras. Atenuar a desconfiança internacional não significa resolver a dificuldade financeira enfrentada pelo brasileiro nos últimos anos.

Também não se trata apenas da crise econômica. Diante de tantas denuncias de corrupção entre verdes, amarelos, vermelhos e azuis o povo sente-se mais órfão do que nunca em relação ao poder de fazer política por meio do sistema democrático. E o cidadão que se preocupa com as questões sociais e o direito das minorias, ele se vê coagido a defender um partido que não o representa por recear um possível porvir ainda mais sinistro. Estamos sem dúvida habitando a expressão “num mato sem cachorro”.

São tempos terríveis quando a esperança por justiça se esgota. Ainda assim, independente das manchetes, é preciso torcer. Torcer não pela permanência de um partido político na liderança, e sim pela decisão da maioria nas urnas eleitorais, escolha que insistentemente eles, os barões da informação, ridicularizam ao tentarem revertê-la.

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