Quatro Irmãs encarceradas

Qualquer um que conheça minimamente como atua as grandes construtoras no Brasil saberia que as próximas empresas a sucumbirem na operação Lava Jato seriam Odebrecht e Andrade Gutierrez. As duas construtoras fazem parte do que, no mundo dos negócios, é chamado de as Quatro Irmãs, composta por Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.

Essas empresas têm um passado em comum, além da presente prisão de seus dirigentes. Todas cresceram durante a ditadura militar e possuem uma relação carnal com o governo. Financiamento de campanhas governamentais constitui quase um ramo de atividade dessas companhias. Atualmente, o leque de atuações das quatro construtoras vai muito além do setor de infraestrutura e a presença no exterior é significativa.

A Odebrecht e Camargo Corrêa estão sendo investigadas pela polícia federal na operação Lava Jato, que tem como alvo primordial a Petrobras, mas que já transbordou para outras empresas e políticos envolvidos com a petroleira. Essa fase das prisões é denominada “erga omnes”, que significa “para todos” em latim. O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht está preso, assim como o presidente da Andrade Gutierrez, Otavio Marques de Azevedo, entre outros dirigentes. As acusações são superfaturamento em obras relacionadas ao governo e a distribuição de propinas.

As licitações feitas no Brasil para projetos públicos são cartelizadas pelas Quatro Irmãs.  Nas obras da Copa e Olimpíadas, a Odebrecht participa de quase todas. Os Consórcios formados sempre têm a participação de uma dessas companhias, e a possibilidade de estarem envolvidas em esquemas de corrupção é alto devido à proximidade de governo e empresas no Brasil.

Os que defendem o fim de doações privadas para campanhas eleitorais podem ter no exemplo da atuação das Quatro Irmãs um ponto para defender seu argumento. Elas constituem uma das maiores doadores para partidos e candidaturas políticas, o que as aproxima ainda mais do governo. A doação é usada para lobby interno dessas empresas para terem informações privilegiadas em licitações e largarem na frente em concorrências públicas.

O Brasil parece ser aquele país em que todos sabem onde há corrupção e quem deveria estar preso, mas nada é feito para que isso aconteça. Parece que os tempos mudaram, porém ainda fica a dúvida em quem assiste de casa se realmente os dirigentes dessas empresas continuarão presos, ou se não será essa mais uma tentativa sem grandes consequências para as empresas. Que o dinheiro e poder blindam as prisões, é verdade, mas não podemos prosseguir afirmando que os culpados pela insegurança nas ruas brasileiras são os batedores de carteira. As Quatro Irmãs juntas bateram a carteira de toda a sociedade brasileira.

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