Quando se está disposto a morrer

Vida e morte são os antônimos mais comuns e correntes no mundo – única certeza da vida. O nascimento, em grande parte das vezes, vem da vontade de pais, ou pai, ou mãe de terem um bebê. Preparam-se e tomam medidas para que isso aconteça. Quanto à morte, essa deve ser natural, quando não evitada a todo custo, mesmo em situação em que a pessoa esteja semimorta, agradando o imaginário dos que estão vivos. E quem se mata, diz-se covarde e egoísta, mas egoístas são aqueles que não respeitam o desejo e a hora de alguém partir.

A saudade de quem se foi pode tornar-se insuportável. A dor da perda: essas são as 4 palavras mais ditas em um funeral. Para perder, antes, deve-se ter, e a verdade é que ninguém pode possuir outra pessoa.  O controle mata até a morte, faz da pessoa zumbi das vontades dos outros, e isso não é vida nem morte.

O suicídio significa a opção de não mais sofrer, ou de apenas querer acabar com uma boa vida no momento que se escolhe. A morte não necessariamente é fuga. É escolha, porque existe. O verdadeiro amor deve estar baseado em aceitar outras escolhas, mesmo que ela te prejudique, é compreender o que se quer no momento que se deseja, e muitos querem viver, e outros, morrer.

O suicídio também pode estar representado como a escolha em meio à ausência de escolhas. Quando a morte torna-se a única opção. De qualquer maneira, optar pela morte é sempre uma escolha entre a vida que não vale a pena diante do deixar de existir.

Considero corajoso quem se mata, da mesma maneira que considero corajoso quem vive ou morre para os outros. Entenda, são apenas escolhas. O importante é ser livre para fazê-las.

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