Quando o silêncio fala mais – a magia do filme mudo

No início, a tecnologia impediu que os filmes fossem falados e a cores. No começo do século XX, mesmo com a existência do cinema falado, ainda eram as películas mudas que ganhavam as bilheterias. Aos poucos, o cinema mudo desapareceu em seu completo silêncio preto e branco, deixando muitas criações de Charles Chaplin na memória mundial. Vieram os efeitos especiais, que nos pouparam a imaginação em um mundo que não se olha mais.

O cinema antigo, atualmente, causa aborrecimento na maior parte das pessoas que o assistem, por falta de costume com a ausência dos recursos, que existem na grande tela do século XXI. A modernidade não deixa espaço para o pensar e o imaginar, em dimensões de tempo reduzidas por afazeres intermináveis. Nesse contexto, o cinema mudo nos devolve os segundos para entender e imaginar sem limites, não apenas as palavras, mas também as cores, ao som da música, que coexiste com mínimas intervenções lingüísticas entre uma cena e outra.

A tecnologia não aliena ao facilitar o entendimento. Obras primas atuais de diretores, como Sergio Leone, grande influência para Quentin Tarantino, Lars von Trier e Pedro Almodóvar instigam a mente do telespectador, que se desdobra para compreender os diversos sentidos de dois sentidos – o som e a visão. Contudo, a vontade de estar no silêncio e silenciar-se da humanidade cessou. Olhar o outro ao som de um instrumento é raro. Não falar tornou-se não ter nada a dizer.

O cinema mudo grita em suas expressões e na forma de olhar quem está sentado observando-o. O mesmo ocorre com pessoas. As palavras nem sempre são necessárias em meio à ação humana. A tecnologia nos deu o que está pronto, e nos esquecemos de construir imagens. O entendimento também se associa à imaginação. Como diria Albert Einstein: “Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interação humana, e o mundo terá uma geração de idiotas”. Ou ainda: “A imaginação é mais importante que o conhecimento”.

Veja um bom filme mudo e fale com os olhos para quem sabe ouvi-lo.

Uma resposta para “Quando o silêncio fala mais – a magia do filme mudo”

  1. Marianinha disse:

    Ótimo texto, Fabi!

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