Qual será o resultado do jogo?

No dia 15 de junho é decidido o segundo turno das eleições colombianas entre os candidatos, Oscar Zuluaga e Juan Manoel Santos, para a Presidência da República. Exatamente no mesmo dia, a seleção colombiana realizará o seu primeiro jogo na Copa do Mundo.

O voto na Colômbia não é obrigatório. A presença dos setores populares nas eleições não é expressiva e pode até tornar-se arriscada, principalmente quando se posicionam contrários às forças hegemônicas do país.

O clima de desconfiança paira sobre quem discute política em lugares públicos. Aqueles que estão em desacordo com as medidas governamentais temem tornarem-se mais um dos milhares de “positivos” – ativistas políticos misteriosamente desaparecidos no país: vítimas da polarização ideológica formada com o conflito armado entre Estado e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Crimes sem provas, sem cadáveres e sem responsáveis, configuram a triste realidade que perdura há mais de 30 anos em território colombiano.

Como mostra a revista Semana, “incerteza, impotência, tristeza, angústia”marcam a vida dos sobreviventes políticos que atuam no país e tentam mobilizar os setores populares.

Eleições

Zuluaga e Juan Manuel são antigos aliados políticos que se diferenciam, principalmente, quanto ao diálogo com as FARC e as reivindicações desse grupo.

O atual presidente, Juan Manuel, ao contrário de seu antecessor, Álvaro Uribe, decidiu abrir o diálogo com os grupos guerrilheiros para amenizar a violência e a instabilidade interna do país. Incentivou o diálogo em relação às questões agrárias, medida que enfureceu a elite rural, e tocou em assuntos controversos para a sociedade colombiana conservadora, como direitos das mulheres e dos homossexuais.

O candidato de oposição, Oscar Zuluaga, ao contrário do atual presidente, determina que não se deve manter o diálogo com as FARC, pois a guerrilha é um caso a ser resolvido pelas forças armadas.

Zuluaga é o candidato que representa as forças conservadoras do país e conta com o apoio estratégico dos Estados Unidos, principalmente em relação à capacidade de fogo do exército nacional.

Apesar da aparente polarização entre esquerda e direita, o quadro colombiano sugere o discurso de duas direitas, sendo que uma delas faz uso do discurso social. Ambos são membros da elite agrária colombiana e não pretendem mudar a estrutura social excludente que os privilegia.

Zuluaga terá que elaborar um plano de governo mais convincente para o eleitorado do que aquele proposto pelo governo de Juan Manoel.  Uma coisa é certa, a velha direita ainda está no jogo, só ainda não sabe quais cartas colocar na mesa. Mas não devemos subestimá-la.

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