Protestos na Ucrânia relembram o mundo bipolar

País dividido em toda sua história, a Ucrânia, ex-parte e herdeira da União Soviética, encontra-se novamente assolada por protestos de rua desde novembro do ano passado. Kiev, palco das manifestações, divide-se entre opositores do presidente Viktor Yanukovytch e as forças policiais. O presidente é aliado da Rússia, e enfrenta pressões da oposição para aproximar-se da União Europeia. Em uma nação dividida pelas guerras do século XX, a união pós-independência de 1991 ainda constitui desafio.

Centros administrativos da Ucrânia estão sendo destruídos e mortes somam-se conforme passam-se os dias. Yanukovytch tenta o cargo presidencial desde 2004, quando teve sua vitória nas urnas anulada, devido a indícios de corrupção eleitoral, que culminou na Revolução Laranja. Novas eleições foram convocadas. Dessa vez, Yanukovytch perdeu para o ex-presidente Viktor Yutchenko. O presidente Viktor Yanukovytch, portanto, desagrada parte da população antes mesmo de ser eleito.

Como um país que fez parte e ao mesmo tempo lutou para ser independente da União Soviética, as divisões internas prosseguem. Além disso, e não menos importante, os constantes envolvimentos do alto escalão político do país em corrupção revoltam os ucranianos. Manifestações antes pacíficas tornaram-se violentas, conforme as forças policiais tentam reprimir os ativistas. O presidente agora tenta um acordo tardio com a oposição, enquanto as ruas não dão trégua. O ataque é contra o governo. O pedido é a retirada de Yanukovytch do poder e a convocação de novas eleições.

As medidas de exceção convocadas pelo poder dão aval para o uso de arma de fogo pelos policiais, permitem prisões aleatórias e limitam o direito de ir e vir dos cidadãos. Assim sendo, a polícia deixa de ser protetora do cidadão e transforma-se em exército a serviço do país e contra o inimigo. O problema, nesse caso, é que o inimigo é a própria nação. O temor de muitos especialistas é a guerra civil.

A situação na Ucrânia parece ter chego a um limite. Além de erros constantes de governantes, o país tem um histórico de problemas territoriais. Sua localização geográfica contribui para influências externas que, nesse momento, tentam conter a crise, da maneira que melhor lhes convém. Enquanto isso, o povo, mais uma vez, paga o preço da necessária revolução.

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