Previsões Gregas

Líder da coalizão de esquerda Syriza, Alexis Tsipras, ganha as eleições gregas no último domingo (25) e torna-se o novo primeiro ministro da Grécia.  O Partido Syriza prega o fim das restrições feitas pelos credores internacionais e promete acabar com a situação delicada em que a população foi submetida nos últimos 5 anos. O Syriza é o primeiro partido político contrário às medidas de austeridade que vence uma eleição na União Europeia.

A vitória do Syriza é considerada histórica por se tratar de um partido sem importância antes do início da crise europeia. A troica – Banco Central Europeu, União Europeia e Fundo Monetário Internacional – pressiona o país desde 2010, quando a Grécia recebeu a soma de 240 bilhões de euros para estabilizar a economia. Atualmente, a dívida representa 175 % do PIB do país. O resultado das urnas repercutiu em outros países europeus em situação semelhante, como é o caso da Espanha, o que fortalece os partidos políticos de esquerda combativos às restrições do bloco europeu.

Dependendo do resultado do cenário grego, os credores serão obrigados a propor um segundo acordo, algo impensável até então.

Especula-se que Alex Tsipras não seja tão subversivo em relação às leis do mercado quanto seus eleitores apostam. No primeiro dia após o resultado eleitoral, aliou-se ao partido conservador Gregos Independentes para garantir a maioria no Congresso, porém vale lembrar que o Gregos Independentes também são contra as medidas de austeridade do mercado. A coligação deu ao atual governo o posto de 162 cadeiras em um congresso de 300 lugares. Sejam quais forem as decisões do atual governo, elas não terão dificuldade em serem efetivadas.

Tsipras anunciou que renegociará as dívidas do Estado com os credores, mas ainda não se sabe como serão feitos os acordos. Até então, não houve sinalização da troica e os investidores estão apreensivos.

O país encontra-se altamente endividado em sem condições de reverter a situação. Os gregos apostaram na esperança nebulosa de melhoria ao invés de submeterem-se às leis do capital. Dessa vez, o povo grego decidiu dar ouvidos às profecias de Cassandra, como Tsipras apontou em seu primeiro discurso. Mas seria a Grécia capaz de não aceitar o presente de Ulisses? Só o tempo dirá.

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