Por que não somos 40

Reza a lenda de que o Ministério Público vai monitorar a conduta dos policiais nas próximas manifestações contra o golpe em São Paulo e Rio de Janeiro após a onda de denúncias sobre truculência e abuso da PM. Dessa vez, a briga é por um motivo muito mais espinhoso do que as grandes passeatas de 2013, e os órgãos de repressão do Estado farão o que seus comandantes mandarem para por fim às reivindicações da rua.

O pedido de investigação partiu do grupo Tortura Nunca Mais e do Sindicato dos Advogados de São Paulo, após casos como o de Deborah Fabri, estudante de 19 anos, que perdeu a visão do olho direito, e a prisão preventiva e ilegal de 18 jovens no domingo; além das costumeiras bombas gratuitas, agressões e intimidações de toda espécie.

Antes nós lutamos pelas condições e pelo preço do transporte público. Agora, trata-se de um manifesto que bate de frente com o porta-voz da bancada BBB (boi, bíblia e bala), o homem escolhido por um Congresso e por um Judiciário corruptos e arbitrários, órgãos regidos para os interesses do “patrão” e do conservadorismo brasileiro. Nós não peitamos uma mera figura política com o “Fora Temer”. Muito mais que isso, o “Fora Temer” é um meio de afrontar os coronéis desse Brasil que insiste em manter-se como grande celeiro.

O “Fora Temer” é o slogan de uma luta imensa que pode não dar o resultado imediato esperado, novas eleições presidenciais, mas assegura um movimento extremamente necessário para a sociedade brasileira – colocar-se alinhada ao modelo democrático político a qual ela se diz pertencer.

Se formos sair às ruas agora é porque somos adeptos de uma democracia e acreditamos e lutamos por ela. Como se sabe, em um sistema democrático ideal, o governo é escolhido pelo povo e se caso comprarmos essa briga, que seja o povo quem detenha a palavra final.

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