Petrobras para além da corrupção

A operação Lava Jato teve início em um posto de gasolina, onde havia uma casa de câmbio ligada a negócios ilegais em março de 2014. Desde então, foram descobertos esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras, o governo e as grandes construtoras brasileiras. Não se trata de mais um caso de corrupção, esse caso coloca em risco a credibilidade de uma das maiores empresas estatais brasileiras, o que afeta diretamente a economia e a política do país.

A Petrobras não é uma empresa comum. É uma gigante estatal que possui ramificações em diversos setores econômicos. A petroleira possui grande influência política e facilitava esquemas de corrupção envolvendo o governo e os diversos partidos políticos brasileiros. Até o momento, PMDB, PT, PSDB e PP são as principais siglas ligadas a essas operações.

Além disso, grandes organizações empresariais que prestam serviço para a Petrobras, como OAS e Camargo Correa, já foram denunciadas pelo esquema ilegal de propinas para o monopólio das empresas desse segmento. A construção civil necessita de investidores e empréstimos para seguir seus projetos de longo prazo e alto custo operacional, e as denúncias contra as empreiteiras retiram a credibilidade necessária para que continuem operando. Sem investidores, as empresas iniciam o fechamento de projetos, resultando em demissões.

As dificuldades das construtoras não se comparam à catástrofe de ter uma grande estatal petroleira com alto risco de investimento. Projetos internacionais da Petrobras podem ser suspensos e os acionistas da empresa recuarem, o que fragiliza os negócios da companhia. O problema é que essa não se trata de qualquer empresa. A Petrobras investe mais de 3,5 bilhões de dólares por mês que, obviamente, são revertidos para a economia brasileira. Portanto, uma diminuição de investimento tem reflexo direto na economia do país.

O Brasil não passa por período de bonança e as consequências da operação Lava Jato não terão um colchão governamental tão macio quanto em outros tempos, caso a Petrobras caia da cama. De acordo com estudo do Grupo de Economia da Infraestrutura e Soluções Ambientais da Fundação Getúlio Vargas e pelo Centro de Estudos de Direito Econômico e Social (Cedes), o PIB brasileiro pode perder 87 bilhões de reais esse ano, ao custo de 1 milhão de empregos. A influência negativa dos acontecimentos já afeta a legitimidade do governo Dilma, que se torna cada vez mais instável.

Não se trata de defender uma empresa corrupta. Toda corrupção deve ser investigada e punida, mas essa investigação especificamente tem consequências muito maiores para o Brasil. A economia e a política do país serão afetadas pelos desdobramentos do que até o momento aparenta ser o maior esquema de corrupção já investigado no país, e as mudanças não serão apenas pontuais, e sim estruturais. As estruturas políticas e econômicas precisam ser modificadas para que o Brasil tenha ao menos um próximo ano menos obscuro.

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