Parada Gay de São Paulo – a diversidade em cores

A primeira Parada Gay de São Paulo ocorreu em 1997, sob o tema Somos muitos, estamos em todas as profissões. A manifestação contou com 2 mil pessoas e o seu objetivo era chamar a atenção para a discriminação que lésbicas, gays, bissexuais e travestis sofriam na sociedade brasileira. A cada ano a Parada adota um tema de protesto. A Parada Gay 2014, sob a bandeira País vencedor é país sem homolesbotransfobia. Chega de mortes! Pela Aprovação da lei de identidade de gêneros! teve a participação de 100 mil pessoas de acordo com a polícia militar e um milhão e meio de acordo com os organizadores do evento, fato que apenas comprova o incontável número de seguidores que a manifestação conquistou nos últimos anos. Ao contrário do que muitos insistem em afirmar, incluindo a mídia, a Parada não é festa apenas, é protesto travestido de festa, criado para mostrar ao Brasil e ao mundo que o direito LGBT faz parte dos direitos humanos.

Pessoas com pouca roupa, fantasias e perucas escandalosas em meio a outras vestidas com roupas do dia-a-dia acompanham o trio elétrico. O clima da Parada Gay é de comemoração mesmo que pouco exista para se comemorar em um país em que ainda há deputados federais claramente homofóbicos e que fazem campanha contra os direitos humanos, como é o caso do ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o atual deputado federal Marco Feliciano. No protesto LGBT festeja-se. O alvo não é apenas a falta de políticas públicas direcionadas à discriminação sexual, mas também o comportamento de toda uma sociedade preconceituosa. Nesse caso, a melhor arma é se mostrar, integrar e gritar, até que a recriminação acabe. Muitos afirmaram que a Parada Gay virou Carnaval. Não virou, é e sempre será festa e cor, porque essa é a essência do movimento, que não tem que se adaptar à sociedade tradicional e pouco diversa. A mensagem é diversidade, e o diverso se traduz em cores.

No começo do ano, o Grupo Gay da Bahia registrou o assassinato de 312 gays, lésbicas e travestis no Brasil no ano de 2013. Crimes de espancamento por homofobia são corriqueiros. Mata-se por intolerância, por não considerar que diferentes opções sexuais seja uma característica humana. O casamento gay civil apenas tornou-se realidade no país no ano passado. Esses são direitos concedidos a todos os cidadãos brasileiros e negá-los por opções de gênero é um crime grave contra os direitos da humanidade. O atraso em aprovar essa lei já demonstra o caráter preconceituoso brasileiro que, infelizmente, apesar de pequenos avanços, não mudará de um ano para o outro.

A Parada Gay atualmente agrega todos os gêneros e aumenta a cada ano. Criticá-la por seu caráter festivo é não entender a essência do protesto. Os militantes da causa LGBT possuem sua parte na história da defesa dos direitos humanos, e a Parada Gay é um símbolo de tolerância. A Avenida Paulista tomada por todos representa o caráter de igualdade que o movimento busca. A Parada existe para que todos saiam do armário, e esse armário não é o que esconde opções sexuais – é, sim, o armário que aprisiona opiniões e idéias.

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