Parabéns, Pixinguinha!

Pixinguinha nasceu no Rio de Janeiro, capital do Império, em 1897, apenas um ano antes da abolição dos escravos. Ontem, se estivesse vivo, faria 117 anos. Ele representa o que é de mais puro no samba brasileiro, pois possui o domínio dos instrumentos em notas que não nos fazem parar. Teve influência de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga, além de pinceladas do jazz americano. Vindo de família de músicos, em tempo em que a música brasileira era tocada em roda de quintais de servidores públicos, Pixinguinha tornou-se mestre e pai da música brasileira. Flautista, saxofonista e compositor, Alfredo da Rocha Viana Junior, seu nome de nascimento, imortalizou-se por meio de sua arte.

Filho do músico Alfredo da Rocha Vianna, Pixinguinha nasceu em meio aos instrumentos e já muito jovem tocava perfeitamente a flauta. Apresentou-se em bares, casas noturnas e salas de cinema. Integrou grupos musicais como o Caxangá e o 8 Batutas. Era negro em um país racista, e seus méritos foram fruto de sua genialidade, que ultrapassou qualquer sorte ou acaso inexistente.

Em um episódio, na década de 1920, após grande sucesso na Europa com o grupo “8 Batutas”, toda a mídia do Rio de Janeiro ofereceu a Pixinguinha e seu grupo uma homenagem no Copacabana Palace. Ao chegar à festa, o segurança barra o grupo, afirmando que negros só poderiam entrar pelos fundos. Pixinguinha abaixa a cabeça e diz para seu grupo: Lamento; e dirigem-se todos a entrar pelos fundos, passando pela cozinha até a grande homenagem que os aguardava. Quando o gerente do hotel soube do acontecido, foi desculpar-se com os músicos, a morrer de vergonha. Disse que demitiria o segurança, mas Pixinguinha disse que não. O segurança, envergonhado, pediu perdão de joelhos, afirmando que apenas seguia as ordens do hotel, de que nenhum negro deveria entrar pela porta da frente. Pixinguinha apenas repetiu ao segurança que lamentava tudo aquilo. Desse episódio, ele compôs um de seus mais famosos chorinhos: Lamentos. Lamentaríamos todo o mundo se por racismo não tivéssemos conhecido a música de Pixinguinha. Por sorte, o Brasil não segregou esse talento. Que bonito seria se todos fizessem da vida música, essa maravilhosa forma de lutar.

Vinícius de Moraes se lembra dos tragos que tomava com o amigo e o define como um ser humano lindo. Disse que uma vez desceram um litro de cachaça. Vinícius tomou cinco doses e Pixinguinha o resto – “eu fiquei de porrinho e ele ficou perfeito”.

Esse era Pixinguinha, uma gente maravilhosa, um gênio, nas palavras de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Caiu morto dentro de uma igreja, em um batizado, por isso, muitos dizem que era santo. Abençoado seja Pixinguinha.

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