Panama Papers e a saia justa da oposição

Vazamento é eufemismo para a avalanche de 11,5 milhões de documentos expostos aos olhos do mundo do escritório panamenho offshore de advocacia Mossack Fonseca. O furo jornalístico é considerado um dos maiores da história e expõe quatro décadas de atividades financeiras em paraísos fiscais. E como não poderia faltar, temos a presença do ilustríssimo Eduardo Cunha (PMDB) e o envolvimento de outros seis partidos brasileiros: PDT, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB.

A firma já estava na mira da Operação Lava Jato pela suspeita de auxiliar Lula a esconder a suposta propriedade do Guarujá. Ironicamente, o PT não se encontra nos arquivos da firma.

O escritório de advocacia Mossack Fonseca é uma empresa internacional que auxilia outras empresas e clientes particulares a guardarem dinheiro em lugares onde a fiscalização e os impostos são maleáveis, também conhecidos como paraísos fiscais, permitindo aos clientes facilidades ao investir no exterior. Vale a ressalva de que contas offshore não são por si só ilegais, desde que devidamente declaradas ao fisco. Porém, devido às garantias de sigilo; procedência do capital e permissão de nomes falsos, esse tipo de conta serve, em grande medida, para lavagem de dinheiro, omissão de capital do imposto de renda e todo tipo de transação financeira de procedência suspeita.

Figurões do cenário internacional, como o presidente russo Vladimir Putin, estão indiretamente associados às contas panamenhas. No caso russo, trata-se de generosas transações financeiras feitas em nome de um amigo íntimo do político, que não seriam possíveis sem a ajuda de Putin. Também em âmbito europeu, Sigmundur David Gunnlaugsson, primeiro-ministro islandês, é acusado de esconder grandes somas de dinheiro justamente no período em que o país passava por forte recessão econômica. Devido ao escândalo, o primeiro-ministro pediu sua renuncia.

A apuração das denúncias e a divulgação dos documentos da empresa panamenha ficaram a cargo do portal UOL, do jornal O Estado de São Paulo e da emissora Rede TV. A exclusividade é firmada por acordo entre os veículos e o Consorcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ, sigla em inglês).

Para aqueles que associam a corrupção política com a sigla do PT, o caso Panama Papers veio como um banho de água fria. Mais uma vez, temos a presença do ilustríssimo Eduardo Cunha, o maior articulador e defensor do impeachment, e outros seis partidos políticos.

Não é de surpreender que um dos maiores e mais importantes casos de investigação jornalística esteja sendo tratado de forma tão tímida por aqueles que receberam os documentos. Afinal, o PT não está envolvido, dessa vez.

Mais interessante, ao que parece, é a tal da desinformação, a polarização de todos contra Dilma. De que serviria ao brasileiro, pensar sobre a corrupção sistêmica do país, não é mesmo? Para quê ampliar a discussão para o cerne do problema, quando ela serve tão bem como atiçador de ânimos?

Ao que parece, seria a tal da boa e eficaz polarização “todos versus Dilma” o que realmente importa à mídia noticiar.

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