Morrer na praia lifestyle

Eu poderia caminhar um dia inteiro. Aliás. Eu poderia caminhar por semanas. Eu já caminhei por dias. Dezesseis dias. Digo dezesseis. Foram seis. Mas eu digo dezesseis. Aumento. Invento. Não, não invento. Eu só aumento. Afinal, o fato aconteceu. Só não aconteceu assim do jeito que eu te conto como aconteceu. Eu minto, eu sei, eu minto quando acrescento um decimal na casa dos feitos. E você me julga. Eu aceito. Você tem razão. Realmente, não foi assim, não foi tudo isso. Foram seis digo dezesseis. Eu invento. Não, não invento. Eu só (na singeleza que esse só pode acrescentar para aquilo que eu vá te dizer depois) … Eu só aumento. Por favor, entenda-me.

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O negro onde ele quiser

Emmit Walker, um executivo de música norte-americano, foi acusado de estar no lugar errado na última terça-feira, 5, quando embarcava na fila da primeira classe no aeroporto da cidade de Arlington, em Virgínia. Emmit viralizou nas redes com a resposta: “sou apenas um negro com dinheiro”. O mesmo poderia ter dito Emicida ao ser tachado de “hipócrita” pelo MBL.

O rapper não deixou barato no Twitter: “ponto didático de hoje é: Se você não se ofende ao ver pretos na miséria, tenha pelo menos a fineza de ficar calado quando ver eles em ternos de 15 mil”.

E a pergunta que fica é: por que um negro de sucesso incomoda? Leia

As Arpilleras do Brasil

Chega no Cine Belas Artes o longa-metragem Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência.  Filme feito sem financiamento privado e produzido pela organização MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). A ONG atua há 26 anos com as comunidades ribeirinhas vítimas das zonas de alagamento.  

O documentário denuncia essa realidade ao cruzar o relato de dez mulheres atingidas pelas barragens e que residem em diferentes regiões do Brasil.

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O convite de La Bête

No dia 10 de setembro, o Santander Cultural de Porto Alegre suspende a mostra Queermuseu, depois de ameaças de boicote ao banco. No dia 16, do mesmo mês, a Justiça de Jundiaí proíbe a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu. Ao mesmo tempo, a adaptação teatral do livro A Princesa e a Costureira foi taxada de “peça gay para crianças” e precisou articular-se para evitar a censura. Internautas se mobilizam para proteger a moral e os bons costumes cristãos. E a política e as empresas respondem a esse eleitorado/consumidor com fechamentos e pedidos de desculpa públicos. Bom, até aí, nada de novo sob o sol.

No entanto, nesse último mês vimos as coisas descambarem quando, na terça-feira do dia 26, na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna (MAM), o artista Wagner Schwartz apresentou a performance La Bête.

A imagem de uma criança pequena encostando a mão no tornozelo do artista nu viralizou. E o performer foi acusado de molestador em conchavo com o público presente e os organizadores da mostra. O curioso, nesse caso em especial, é observar como o relato de todas as pessoas presentes na performance, inclusive o testemunho da mãe da criança, foi ignorado a partir de uma imagem sensacionalista sobre o acontecimento.

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O discurso de ódio de cada dia

A maneira como consumimos e absorvemos a informação mudou. Já não nos informamos através da grande mídia e sim pelos próprios internautas. E essa passagem do modelo de divulgação para o modelo de circulação sinaliza uma veiculação mais participativa e diversificada. Porém, num cenário onde tudo se vê, opina e compartilha, como deter manifestações de ódio ao próximo? Como saber se também não estamos propagando preconceitos enraizados em nosso círculo social, e ainda, quais são os critérios de censura para as narrativas consideradas perigosas?

Regulamentar o que se diz e como se diz sem ferir o Direito Fundamental de Expressão é a grande premissa para a construção de uma rede saudável e cidadã para todos. No entanto, o que seria de fato um discurso de ódio?

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