O convite de La Bête

No dia 10 de setembro, o Santander Cultural de Porto Alegre suspende a mostra Queermuseu, depois de ameaças de boicote ao banco. No dia 16, do mesmo mês, a Justiça de Jundiaí proíbe a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu. Ao mesmo tempo, a adaptação teatral do livro foi taxada de “peça gay para crianças” e precisou articular-se para evitar a censura. Internautas se mobilizam para proteger a moral e os bons costumes cristãos. E a política e as empresas respondem a esse eleitorado/consumidor com fechamentos e pedidos de desculpa públicos. Bom, até aí, nada de novo sob o sol.

No entanto, nesse último mês vimos as coisas descambarem quando, na terça-feira do dia 26, na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna (MAM), o artista Wagner Schwartz apresentou a performance La Bête.

A imagem de uma criança pequena encostando a mão no tornozelo do artista nu viralizou. E o performer foi acusado de molestador em conchavo com o público presente e os organizadores da mostra. O curioso, nesse caso em especial, é observar como o relato de todas as pessoas presentes na performance, inclusive o testemunho da mãe da criança, foi ignorado a partir de uma imagem sensacionalista sobre o acontecimento.

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O discurso de ódio de cada dia

A maneira como consumimos e absorvemos a informação mudou. Já não nos informamos através da grande mídia e sim pelos próprios internautas. E essa passagem do modelo de divulgação para o modelo de circulação sinaliza uma veiculação mais participativa e diversificada. Porém, num cenário onde tudo se vê, opina e compartilha, como deter manifestações de ódio ao próximo? Como saber se também não estamos propagando preconceitos enraizados em nosso círculo social, e ainda, quais são os critérios de censura para as narrativas consideradas perigosas?

Regulamentar o que se diz e como se diz sem ferir o Direito Fundamental de Expressão é a grande premissa para a construção de uma rede saudável e cidadã para todos. No entanto, o que seria de fato um discurso de ódio?

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Casa 1 para um começo

Sentado à mesa de um bar, uma coca e um jornalista. Iran Giusti, 27 anos, jornalista e militante LGBT, começa a falar de vontades e loucuras que se tornaram reais. A Casa 1, única casa em São Paulo criada para acolher LGBTs expulsos de suas casas ou em situação de rua tornou-se real em dezembro, após Iran abrir um financiamento coletivo na internet. A casa é um lindo sobrado em uma esquina no centro da cidade e já traz cores e diversidade para a região.

O começo da militância de Iran foi descrito como individual e bastante distante de problemas reais. De acordo com ele “a gente tem uma tendência social a se fechar em determinados grupos”, e mesmo a militância de cada grupo se fecha, muitas vezes sem entender o preconceito e sofrimento de outros grupos. Quando começou a alugar o sofá de sua casa no Airbnb, falando que recebia LGBTs que não tinham para onde ir, surpreendeu-se com a procura. Daí veio a ideia de criar a Casa 1, um espaço cultural e de acolhimento – “parte (dos amigos) achou que eu era um heroi e parte um louco”. Leia

O empresário da política

A posse de Donald Trump foi marcada por uma onda de protestos nos Estados Unidos e no mundo. Norte-americanos ironizam a capacidade política do empresário e protestam contra colocações machistas e preconceituosas feitas durante a campanha presidencial mais sombria, caricata, truculenta e vulgar da história do país.

Uma parcela da população não se conforma com o resultado eleitoral que parecia piada de mal gosto e, portanto, foi descartado como verdade pela grande mídia. Porém, no dia das apurações, veio o susto. Em seu livro autobiográfico chamado: Trump – a arte da negociação, o atual presidente mostra sua estratégia: “uma vez eu disse que construiria o prédio mais alto do mundo, ninguém quis saber dos detalhes, só olharam o sensacionalismo”. E acrescenta: “qualquer história, mesmo negativa, é boa para o seu negócio”. E como ele acertou na receita.

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Os presídios e a crise da mentalidade brasileira

No início do ano de 2017 rebeliões em presídios de Roraima e no Amazonas propiciaram um dos maiores massacres em cárcere desde a rebelião no complexo Carandiru em São Paulo 25 anos atrás. No último domingo, dia 15, novamente recebemos notícias de 27 detentos mortos no Rio Grande do Norte. O número de homicídios em presídios brasileiros só esse ano já ultrapassa a centena, e as discussões sobre a crise carcerária brasileira volta à tona, dessa vez com propostas para lá de equivocadas no Congresso.

Antes de argumentar sobre a crise e o sucateamento das cadeias brasileiras, é preciso dar luz ao vício do país em prender pessoas desconsiderando recursos alterativos de correção. A jaula é efetivamente o melhor método contra a violência? Vejamos  as pesquisas… O Brasil tem mais de 625 mil presos e é o 4° país do mundo que mais prende. Entre 2.000 e 2014, o número de presos aumentou 7% ao ano, um número dez vezes maior que o crescimento da população brasileira. Em contrapartida, somos recordistas mundiais em homicídios, cerca de 60 mil por ano.

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