#Oscarsowhite e teve gente duvidando

No último domingo, dia 28 de fevereiro, duzentos países espalhados pelo planeta assistiram à maior premiação da maior indústria cinematográfica do mundo. E o que antes eram estrelas, prestígio e o fabuloso red carpet, esse ano também carrega o estigma da hashtag Oscarsowhite.

Que o Oscar sempre foi uma festa da elite cinematográfica norte-americana e, portanto, branquíssima, não é novidade; o que soou realmente estranho foram as reações, de artistas e comentadores de cinema, defendendo a ausência das minorias étnicas com o argumento da meritocracia. Ou seja, se os negros não levaram a estatueta para casa é porque não superaram o potencial dos caucasianos vencedores, um argumento possivelmente cômico, se não fosse trágico.

As manifestações começaram com a divulgação dos indicados nas dezessete categorias do evento. Desde 1998, os nomeados eram tão brancos; apesar de a polêmica em si ter começado com a divulgação de uma pesquisa do L.A. Times em 2004, na qual mostra quem são os votantes dos concorrentes ao Oscar.

De acordo com os levantamentos, 94 % dos membros da academia são brancos, 77 % são homens e todos estão acima dos 63 anos. Diretores votam em diretores, atores em atores e assim sucessivamente, além dos votantes mecenas, pessoas ligadas indiretamente à indústria pelo financiamento em grandes produções.

Os filmes pleiteados ao Oscar são majoritariamente feitos para protagonistas homens e brancos. Já a comunidade negra, asiática, indígena, etc, etc, quando representada, limita-se ao papel de serviçal ou vítima de violência e abuso. Sendo assim, a prestigiada premiação de brancos onde os negros nunca são representados acarreta um discurso nas entrelinhas, e um discurso diga-se “de passagem” muito perigoso; o sucesso tem o tom de pele ideal.

Vale lembrar, critiquemos o evento, mas não podemos nos esquecer de que o Oscar nada mais é do que o reflexo de uma sociedade confortável com protagonistas brancos caucasianos representando os heróis de suas tramas. Por isso talvez, o apontamento da festa do Oscar como racista tenha incomodado tanta gente.

Apontar o racismo no reflexo da sociedade é o primeiro passo para identificá-lo no cidadão. O racismo não pode mais ser visto como rabugisse do Spike Lee com o Oscar, o preconceito existe. Existe e é intolerável.

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