Os mortos invisíveis de Osasco e Barueri

Ao todo, 19 pessoas morreram na chacina do dia 13 de agosto em Osasco e Barueri. Em apenas uma noite, de acordo com o jornal Estadão, as duas cidades registraram metade das mortes equivalentes a um semestre, mesmo assim,  pouco se fala sobre o homicídio. Pouca comoção houve com a maneira brutal que jovens, trabalhadores e pais de família, foram assassinados.

O portal G1 conseguiu o nome de algumas das pessoas executadas: Fernando Luiz de Paula, pintor de 34 anos de idade. Ele estava no bar quando foi morto. Eduardo Oliveira dos Santos, artesão, 41 anos. Ia com o amigo Thiago Marcos Damas ao ponto de ônibus e pararam no bar. Thiago Marcos Damas, 32 anos, auxiliar de escritório, segundo sua mãe, estava desempregado e usava o tempo livre para ajudar as irmãs.

Foi para o bar com Eduardo Oliveira dos Santos. Leandro Pereira Assunção, mecânico de 36 anos. Antônio Neves Neto, 40 anos. Tiago Teixeira de Souza. Jonas dos Santos Soares, 33 anos, operador de máquinas, era casado e tinha três filhas, segundo a irmã, ele estava de folga e saiu à noite para beber com um amigo. Igor Silva Oliveira, 19 anos, ajudante-geral. Era o amigo de Jonas e morreu com o colega em um bar. Rafael Nunes de Oliveira, 23 anos, conferente. Presley Santos Gonçalvez, 26 anos, entregador. Deixa dois filhos. Eduardo César, 26 anos. Rodrigo Lima da Silva, 16 anos, estudante. Segundo a mãe dele, o rapaz tinha largado a escola ia ser pai em breve. Foi morto quando conversava com o dono de um comércio. Deivison Lopes Ferreira, 26 anos, ajudante geral. Estava indo para a casa de um amigo quando foi baleado. Letícia Vieira Hillebrand da Silva, 15 anos. Wilker Thiago Correa Osório, 29 anos. Jailton Vieira da Silva, 28 anos, ajudante geral. Estava em um bar quando foi morto. Deixa três filhos. Joseval Amaral da Silva, 37 anos, e dois homens ainda não identificados.

As mortes aconteceram após o assassinato de um cabo da PM e de um GCM (guarda civil metropolitano). Até o momento, apenas uma pessoa está presa pelo homicídio, trata-se do soldado da Rota, Fabrício Emmanuel Eleutério, e as investigações apontam para a existência de um grupo de extermínio dentro da polícia. Em meio a tantos absurdos, a sociedade permaneceu calada, demonstrando o descaso para com a população da periferia.

A desigualdade no Brasil abarca todos os campos da sociedade, sejam eles econômicos, culturais e sociais. Esquecer uma chacina tão rapidamente e não falar sobre o assunto pode ser traduzido como o resultado de uma sociedade doente. Infelizmente, a falsa segurança trazida pela polícia para as regiões centrais, que justificam selfies com soldados em protestos de rua, não é a mesma que acontece ao redor de São Paulo. Não é a polícia que traz segurança, são as próprias pessoas, por meio da redução da desigualdade, que não acontecerá, enquanto houver diferenças de tratamento tão sensíveis.

O Dislexia de Bacamarte declara-se em luto pela morte de todos aqueles que são assassinados injustamente na periferia.

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