Os fantasmas do impeachment

Na segunda-feira, dia 6, Dilma reuniu-se com os líderes das principais legendas aliadas para pedir moderação nos discursos e apoio diante da especulação de afastar a presidenta do cargo.

Como se o cabo de guerra parlamentar não fosse suficiente para a boa articulação da democracia no país, os opositores resolvem aproveitar os escândalos da Petrobrás e as derrotas parlamentares para reacender a chama do impeachment.

A surpreendente articulação de Eduardo Cunha (PMDB) para a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional, PEC 171/93, o qual reduz a maioridade penal para 16 anos, mostrou os descarados mandos e desmandos do presidente da Câmara, não por menos, apelidado de Frank Underwood sem charme. Para quem não conhece a série, House of Cards é uma ficção sobre os bastidores da Casa Branca e das manobras políticas de um inescrupuloso político interpretado por Kevin Spacey chamado Frank Underwood. Esse sujeito segue a ferro e fogo as premissas maquiavélicas onde os fins justificam os meios, e dale meios.

A presidência da Câmara dos Deputados nas mãos do cujo e o Senado às ordens de Renan Calheiros (PMDB) empurram mudanças estruturais importantíssimas ignorando o fato de a sociedade ter escolhido outra forma de administração por vias eleitorais. Independente se o governo do PT está fazenda a sua parte na melhoria social ou não, o que a maioria dos brasileiros escolheu para o futuro do país foi um governo em prol de melhorias sociais e não arrochos punitivos de caráter inconstitucional. Tendo em vista os últimos acontecimentos, é claro que não se trata do melhor para a sociedade, aliás, no ranking das prioridades, ela talvez nem esteja sendo citada.

Os Projetos de Lei transformaram-se em uma ferramenta para desmoralizar a bancada governista e aliados. Quando é aprovado um Projeto de Lei (PL) ou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), a mídia não noticia as consequências em longo prazo dessas medidas, e sim mais uma derrota do PT. Portanto, os grandes meios de comunicação preferem sinalizar o enfraquecimento do governo atual do que conscientizar a população sobre as sequelas sinistras da quebra de braço entre PT e oposição.

A oposição já tentou: recontagem de votos nas eleições presidenciais, passeatas da família, escândalos sigilosos e mal esclarecidos para abrir inquéritos de cassação, problemas fiscais à moda Al Capone; ainda sem resultado algum, salve um panelaço aqui e ali em bairros abastados. No entanto, Aécio Neves, ao ser reeleito para o PSDB, a maior sigla de oposição do país, declarou: “dessa vez vamos até o fim, custe o que custar”. Uma releitura de “os fins justificam os meios”, de Maquiavel.

Seria muita convivência com nosso Frank Underwood tupiniquim? Talvez, infelizmente, esteja claro para Aécio Neves e alguns políticos que sistemas democráticos e leis constitucionais são realidades dependentes da direção dos ventos (e dos financiamentos). Em grande medida, são mais ficções que verdades.

Leia mais:

A reforma política de sempre

Todos contra a maioridade penal

Deixe uma resposta