Os dois lados da mesma moeda

No dia 15 desse mês, último domingo, milhares de pessoas se reuniram na Avenida Paulista para protestar contra o resultado das urnas presidenciais e pedir a cassação do mandato da presidenta Dilma.

Os gritos variavam entre vai para Cuba, Dilma ladrona e comunistas filhos da puta, em um protesto que exemplifica os vestígios do que foi a polarização PT X PSDB nas últimas eleições, feita pelos meios midiáticos e promovida pela mobilização das massas em um deprimente quadro de alienação política (vale ressaltar) de ambos os lados, nas últimas semanas.

Considerada uma das vitórias mais apertadas da história, a máquina eleitoral do PT desarticulou a oposição com uma série de acusações contra seus adversários, principalmente contra Marina Silva, a figura que, em um primeiro momento, pareceu uma alternativa ao continuísmo do governo eleito.

É importante averiguar que não houve a construção de uma proposta de governo, por parte do Partido dos Trabalhadores, que realmente estreitasse os laços com os movimentos sociais; o PT beneficiou-se de programas sociais como Bolsa Família para se propagandear como mediador social, enquanto criava o discurso de que os benefícios sociais alcançados em sua gestão seriam extintos com a troca da liderança. Uma situação delicada onde um passo em falso era fatal e agora é como se não houvesse mais ameaças e o governo navegasse em águas brandas.

O resultado das urnas mostrou um país dividido entre duas propostas de governo que não carregam em si diferenças substanciais e não são compatíveis com a divisão ideológica da direita e da esquerda. Já que as coligações entrelaçam os partidos de certa forma que o interessante mesmo é conjugar ideias em um sistema democrático e não dividir-se em polos opostos e imaginários.

Sendo assim, é deplorável e desanimador a reprodução bipolarizada do discurso político porque reflete a triste desinformação da grande maioria dos eleitores em relação à forma como se dá nosso governo representativo; e nos coloca tão facilmente manipuláveis pelas marés do tempo.

Veremos muitas passeatas ainda esse ano. Só nos resta saber quais delas estão de fato tentando mudar o país e quais são o “rec repete” de quem prefere o discurso Facebook, à verificação dos fatos em si.

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