Orgânicos como solução socioambiental

Lei que torna obrigatória a inclusão de alimentos orgânicos na merenda de escolas municipais foi sancionada pelo prefeito Fernando Haddad essa semana. No Brasil, infelizmente, são poucas as cidades que possuem normas que incentivem o alimento orgânico. Essa mudança trará benefícios ao meio ambiente e ao pequeno agricultor, que terá maior espaço no mercado de alimentos.

Atualmente há quase 11.000 agricultores orgânicos cadastrados pelo Ministério da Agricultura no Brasil. Em 2013, o governo lançou o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que pretende aplicar recursos no valor de 8,8 bilhões no cultivo desse tipo de alimento. Os beneficiários serão assentados, pequenos agricultores, povos e comunidades tradicionais. Contudo, a cultura do consumo de alimentos que fazem uso de agrotóxico dificulta a expansão dos cultivos.

A falta de incentivo da produção livre de agrotóxicos fez com que o consumidor se acostumasse a ter uma variedade de frutas e hortaliças que, na realidade, apenas crescem fora de época por conter herbicidas. Deve haver conscientização da importância de orgânicos no meio urbano, para que o meio rural seja incentivado a produzi-los. Leis que obrigam o uso de orgânicos na merenda escolar vão de encontro com a reeducação alimentar do brasileiro, pois incentiva crianças a terem consciência do que há além do alimento pronto na mesa.

Apesar das limitações da produção no Brasil, como falta de técnicos e sementes, as feiras dedicadas a vender exclusivamente produtos orgânicos se multiplicam, e os preços concorrem com o alimento no atacado. A cultura das feiras traz à sociedade o retorno da ótica de comprar alimentos saudáveis em vez de consumi-los como qualquer outro produto do mercado capitalista. Convencer pessoas de comerem por desejo e não por necessidade prejudica diretamente a população, que consome alimentos não saudáveis, gerando custos de saúde que serão cobrados no futuro, além de favorecem grandes corporações em detrimento do pequeno produtor.

Incentivar orgânicos não será suficiente enquanto não houver reeducação alimentar e conscientização. Soluções de políticas públicas alimentares são eficazes por terem alcance relevante, e nada como ensinar crianças, que desprovidas dos maus hábitos dos adultos, podem gerar uma revolução socioambiental que vai muito além da comida posta à mesa.

 

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