Obus mata na Síria

Uma atriz síria morreu ontem em bombardeio na cidade de Damasco, após escrever no facebook que um obus (projétil de artilharia) havia caído na casa de seu vizinho. Essa tem sido a realidade na Síria desde março de 2011, quando teve início um levante contra o presidente Bashar al-Assad.

A atriz Susan Salman é apenas uma vítima dentre as mais de 100 mil pessoas mortas desde o início dos conflitos. Em agosto de 2013, houve o uso de armas químicas em um ataque em Goutha, subúrbio de Damasco, apesar do país ser signatário do tratado internacional que proíbe a utilização desse tipo de armamento. A consequência foi a morte de 1.429 pessoas, sendo que 426 delas eram crianças.

O conflito persiste e nenhum dos dois lados parece desistir. Mesmo assim, Bashar al-Assad foi novamente eleito em junho, com aparentemente 88,7 por cento dos votos, número irreal mesmo se a maioria da população venerasse seu governo, o que não é o caso.  Será seu terceiro mandato consecutivo, o que significa mais 7 anos no poder.

O que um dia foi um protesto de jovens adolescentes em muros em uma cidade no sul do país, tornou-se uma guerra civil que persiste. Os jovens foram, na época, reprimidos com armas de fogo pelo governo. A opressão federal justificou o uso de armas pelos rebeldes. Atualmente, o que se vê é desrespeito mútuo, de rebeldes e governo, pela vida de civis.

Atores internacionais também fazem parte dos enfrentamentos, em que forças pró e contra governo recebem apoio de grandes nações. Trata-se de mais uma guerra civil com potencial para um conflito regional que nenhum benefício trará para o povo sírio.

Enquanto isso, doações chegam até a população por meio da ONU, e mais mortes somam-se às já calculadas 100 mil vítimas. Enquanto isso, a mídia internacional fala cada vez menos do conflito que trará resultados irreversíveis para a região. Ontem, a morte da atriz foi manchete, mas as milhares de pessoas mortas, que se juntarão a ela, talvez não sejam amanhã. A pressão por uma resolução pacífica do conflito deve prosseguir, porque essa, aparentemente, parece ser a única solução. No entanto, quanto mais atores estiverem envolvidos e maiores forem os desequilíbrios de poder entre eles, menores serão as chances de vitória para a sociedade civil síria.

Não foi um obus que matou a atriz, foram pessoas, e as mortes só irão parar quando cada lado assumir a parcela de culpa que possuem pela morte de cada cidadão do país.

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