O terror de Boko Haram

O grupo está cada vez mais presente nas notícias de jornais e seu nome já passa a ser pronunciável no mundo ocidental. Desde o rapto de quase 300 meninas nigerianas em maio, que gerou comoção internacional em campanha da ONU para o retorno das estudantes – #BringBackOurGirls – o movimento extremista Boko Haram ganhou notabilidade e, ao contrário do que deveria ter acontecido, força. O número de seqüestros do grupo só aumentou, e o governo nigeriano mostra inabilidade em tratar a situação.

A maioria das quase 300 garotas que foram raptadas pelo Boko Haram ainda não retornou às suas casas, e as poucas que voltaram foram por terem fugido do cativeiro. São as próprias famílias que fazem campanhas e temem perseguição do grupo extremista. Os familiares reclamam da falta de assistência do governo.

O grupo é responsável por sequestros quase semanais no nordeste da Nigéria, além de saques, mortes e destruições completas de vilarejos locais. As comunidades que vivem na região reclamam do fato de não poderem deixar os locais onde habitam, porque tem esperança que entes sequestrados retornem para casa. O grupo é contra a cultura cristã, e deseja fundar um estado islâmico. As crianças raptadas são usadas como jovens soldados ou escravas sexuais comercializáveis. O Boko Haram espalha o terror pelo nordeste da Nigéria, com mortes e pilhagens, atacando cidades e hasteando sua bandeira.

O movimento começa a receber treinamento de outros grupos internacionais em 1998, e pode-se dizer oficialmente criado em 2002 pelo clérigo Mohammed Yusuf, executado pelas forças policiais nigerianas em 2009. Suas táticas de terror ganham notoriedade em 2007, com o ataque a instituições governamentais e delegacias de polícia. O grupo clama pela Sharia (regras de educação islâmica) em um país dividido entre cristãos e muçulmanos.

A desigualdade social na Nigéria e a pobreza do norte do país deixam essa região ainda mais vulnerável aos ataques do Boko Haram. O presidente Goodluck Jonathan é questionado sobre a ineficiência em combatê-los, o que, no momento, parece incontrolável, e causa temores também nos países vizinhos. A violência sectária matou mais de 14.000 pessoas na Nigéria desde 1999.

Aparentemente, o Boko Haram recebe armas de fora do território nigeriano. Alguns nomes, como Al Kaeda, já foram apontados como possíveis aliados, inclusive em treinamentos no final da década de 1990. O governo federal é visto como corrupto e ilegítimo pela população que luta para ter seus filhos e filhas de volta para casa.

A questão de segurança no momento é importante para a Nigéria, mas não é o Ministério da Defesa que irá salvar o país. A formação de movimentos extremistas, que conseguem atacar vilarejos inteiros é consequência da desestruturação da sociedade nigeriana. Deve existir melhora na educação e redistribuição da renda do petróleo entre os quase 169 milhões de habitantes. De outra forma, a desigualdade será um constante produtor de morte e miséria no país africano.

Deixe uma resposta