O segredo de Estado na era digital

A espionagem de civis e políticos não é novidade na história dos governos, especialmente quando se trata de Estados Unidos e Inglaterra. Essa prática tem início na era dos telégrafos, estende-se pelos sistemas telefônicos e finalmente chega à geração virtual. A diferença é que, dessa vez, os caminhos são tantos que nem os próprios espiões estão impunes de serem vigiados.

Isso não acontece por acidente, devemos pensar no meio informativo da maneira contraditória que foi desenvolvido. De um lado, a internet facilitou a conexão em rede entre milhares de pessoas e deu acesso gratuito a uma gama de serviços. De outro, foi um sistema criado para monitorar seus usuários, extrair e armazenar preferências. As informações são coletadas e armazenadas sistematicamente pelas grandes corporações que usam os perfis para criarem tendências e direcionarem escolhas de consumo. E se pessoas comuns são monitoradas, não é difícil de imaginar que um chefe de Estado não seja.

Quando Edward Snowden mostrou as provas de espionagem da Agencia Nacional de Segurança norte-america, NSA, nos jornais The Guardian e The Washington Post, só mostrou o que já sabiam que acontecia há anos. É coerente dizer que Dilma adiou a visita até a Casa Branca, após as denúncias de espionagem, para dar alguma satisfação ao povo brasileiro. E é nessa satisfação aos brasileiros que está o poder democrático, se não, transformador, da forma como as relações políticas nacionais e internacionais serão no futuro. Não há portas suficientes para trancar a informação na esfera virtual, o segredo de Estado anda seriamente comprometido.

Muitos artigos na mídia mostram os possíveis perigos que os governos enfrentam sem a privacidade de informação. Mas é importante lembrar que os documentos confidenciais servem para proteger os sistemas de governos e não o cidadão comum.

O desrespeito com o segredo não interfere na democracia de um país, na verdade, ele é o mecanismo inverso, as informações veladas controlam a opinião da população e legitimam as medidas dos governos. Edward Snowden cometeu um crime, é verdade, mas não contra a democracia dos Estados Unidos. Ele não disse nenhuma novidade, apenas provou por A mais B, o que todos já sabiam.

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