O que andam dizendo por aí

Não é só a mídia brasileira que está com os olhos voltados para o Mundial. Os jornais e revistas internacionais também imprimem atenção na Copa no Brasil. Os protestos contra a Copa, ao contrário do que muitos defendem como eleitoreiros, talvez levados pela paixão pelo futebol, não são vistos assim pelos jornais internacionais. Pela primeira vez, como há tempos não acontecia, há uma discussão sobre a transparência da FIFA, e o rastro negativo deixado por onde ela passa.

O brasileiro não está sabotando seu próprio país, está mostrando para o mundo o que há de errado em hospedar a Copa do Mundo da FIFA, e o mundo está entendendo. Essa semana, Le Monde e The Economist fizeram matérias sobre a corrupção que gira em torno da FIFA, que se auto-intitula uma empresa sem fins lucrativos. As manifestações dentro do país são vistas como legítimas pelo mundo todo. Contudo, muitos brasileiros ainda acreditam que protesto é sinônimo de falta de consideração pelo próprio país.
O Qatar for escolhido como país sede para a Copa de 2022. Há ligações entre dirigentes da FIFA e times de futebol daquele país. O Qatar tem temperaturas médias no verão de 50 graus. Nessas condições, é impossível que partidas de futebol aconteçam. A explicação para a escolha, mais uma vez, parece ter pouco a ver com uma decisão democrática de quem oferece melhores condições para os jogos mundiais.

A FIFA possui reservas estimadas em bilhões e o destino desse dinheiro é pouco transparente. Há pedidos por padrões FIFAs nos países sedes, sem qualquer consideração com as leis domésticas do país, vide a permissão do uso de bebidas alcoólicas em estádios brasileiros. As reformas e construções no Brasil foram feitas às pressas, sem considerar contextos econômicos, utilidade ou divisão dos destinos do dinheiro público. Os lucros de todo o setor industrial serão menores nesse ano, devido a 1 mês de Copa, mas economistas ainda insistem em defender aumento do PIB.

Hoje, é a abertura dos jogos no Brasil. Brasil e Croácia entrarão em campo às 17 horas, e 99,5% dos brasileiros vão assistir aos jogos de suas televisões, como em todo mundial. As pessoas que foram às ruas ajudaram sim. Fizeram ascender discussões sobre a validade dos negócios FIFA. E, mais uma vez, hoje, todos no Brasil vão para rua. Seja para protestar ou assistir ao jogo, o objetivo é o mesmo – torcer pelo Brasil.

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