O muro não caiu

No último domingo, dia 09 de novembro, a Alemanha comemorou os 25 anos da queda do Muro de Berlim. Um dia histórico para todos os berlinenses que viviam na cidade dividida e o primeiro grande golpe na ideologia socialista.

A derrubada do muro era inevitável, porém da maneira como se deu, é possível dizer que tudo não passou de um belo mal entendido. Mikhail Gorbachev subiu ao poder em 1985 reformando uma série de restrições da União Soviética em relação ao ocidente e já era previsto o fim da cidade dividida, no entanto a abertura da divisa foi consequência do pronunciamento incorreto do porta-voz da RDA, Günter Schabowski.

Em uma conferência transmitida ao vivo pela televisão anunciando a liberação de viagens ao estrangeiro, confundiu-se e disse: “Segundo meu conhecimento, a lei entra em vigor agora, imediatamente”. As pessoas saíram correndo para a frente do murro, e os guardas que também não sabiam a informação correta deixaram que passassem. Tamanha era a iminência do fim daquela fronteira e, uma vez formada a bagunça, já não era possível retornar aos moldes anteriores.

Naquele momento, duas sociedades completamente segregadas foram juntas novamente: por exemplo, na RDA, as pessoas eram submetidas a uma disciplina laica e militarizada, ao contrário do lado ocidente, onde a maioria dos moradores era cristão. Não se tratava apenas da evidente questão econômica, também foram anos de construção educacional que moldaram o país em duas frentes quase antagônicas.

O muro precisava cair, sem dúvida, mas da forma como a queda foi pintada tanto pelas mídias progressistas quando pelos conservadores, mostra como o acontecimento não recebeu o devido tratamento crítico. A abertura da Berlim socialista, em 1989, foi anunciada como o fim da ditadura obscurantista da União Soviética e o início de um mundo livre, livre para capital ocidental, claro.

A questão é que a tentativa da União Soviética em restringir a influência capitalista em seu território com o levantamento do murro, só serviu para os Estados Unidos acharem o exemplo perfeito para a sua propaganda ideológica, de um lado o mundo capitalista, do outro, o socialismo, de um lado absurdas somas de dinheiro investidas, de outro, uma carência gigantesca de recursos. Muito pouco se disse sobre os porquês do lado soviético ficar tão atrasado diante da parte assistida pelo plano Marshall, apenas enfatizaram, de um lado, o avanço, de outro, atraso.

No último domingo, uma fileira de balões brancos foram amarrados e depois soltos na região onde estava o muro para simbolizar a retirada das fronteiras, tanto físicas quando imaginárias. Porém, em uma Europa cada vez menos permissiva com a população imigrante, é admirável que ninguém tenha tocado no assunto sobre os outros muros, aqueles que ainda estão no inconsciente de uma população dividida no passado e segregacionista hoje.

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