O futuro dono do mundo

Marck Zuckerberg comparece na última Cúpula das Américas, realizada em abril no Panamá, e posa para fotos ao lado de diversos líderes latinos, inclusive Dilma Rousseff. O bilionário de apenas 30 anos de idade, CEO da gigantesca empresa Facebook, pretende disponibilizar acesso gratuito à internet para usuários de baixa renda por meio de uma conexão chamada Internet.org.

No continente africano, Tanzânia, Zâmbia e Quênia são adeptos da rede. Na América Latina, Colômbia, Guatemala e Panamá aderiram à medida. Por aqui, as negociações com o governo brasileiro já começaram, e o anúncio para a chegada da Internet.org ao país está prevista para junho desse ano.

As negociações acontecem de forma sigilosa e tudo que se sabe sobre esse acordo ainda são meras especulações. Porém, o Comitê Gestor da Internet no Brasil, CGI.br, desconfia da medida. Seria muita generosidade a troco de quase nada? Seria mesmo nada em troca?

A meta do Facebook é disponibilizar internet para mais de 2,7 bilhões de pessoas em regiões com economias emergentes. Há quem diga que Zuckerberg está à procura de se tornar uma figura filantrópica, ampliar sua imagem para além do adolescente que deu certo. Mas existem controversas com tanto samaritanismo.

O mundo virtual funciona como um gigantesco emaranhado de conexões entre os usuários. Verificar a extensão e o risco dessas fronteiras é quase impossível.

Vejam bem, estamos falando de um site de relacionamento com mais de 1,4 bilhões de usuários que, por iniciativa própria, inserem seus dados pessoais, detalhes da vida privada, fotos de familiares, localização via satélite, etc, etc, para uma rede gerenciada por um grupo de pessoas, que não está imune a interesses particulares.

O Brasil tornou-se referência mundial na administração das redes com o Marco Civil da Internet e os direitos fundamentais que ele garante. Um dos direitos trata da garantia de neutralidade de rede, que apesar da sua importância, pode sofrer regulamentações. E é justamente nesse quesito que as especulações aumentam. Uma empresa privada garantiria o passe livre sobre o seus interesses pessoais? É mais capaz que as nossas leis sejam adaptadas às demandas da empresa que o contrário.

O CGI.br já comunicou com o governo e com a mídia que gostaria de ouvir os detalhes das negociações. Não é adequado aceitar sem desconfianças um presente tão generoso sem ponderar possíveis implicações.

Trata-se da ficha de registro de milhares de brasileiros e da forma como a medida vai alterar as regras do jogo empresarial e político, já em andamento.

Se, nos dias de hoje, informação é poder, Marck Zuckerberg é sem dúvida o homem da vez.

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