O futuro de Dilma e o nosso

Após ganhar o pleito eleitoral com quase 50% de rejeição, Dilma Rousseff tem o desafio de reformar o governo para angariar apoio popular. As mudanças começaram antes mesmo de acabar o ano e não parecem caminhar para um retorno às bases fundadoras do PT.

A presidenta Dilma filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 2001. Diferente de Lula, um dos fundadores do partido, Dilma filia-se recentemente e dá início a uma carreira política a nível federal. Ao ocupar o cargo deixado pelo presidente Lula, a esquerda esperava continuísmo do homem que era próximo aos movimentos sociais e que costurava, com forte habilidade política, caminhos entre a direita e a esquerda.

A habilidade política do governo de Lula pode ser exemplificada pelo enfraquecimento da oposição, que ressurge apenas no segundo turno eleitoral de Dilma. Nota-se a fraqueza quando os votos fragmentam-se entre os opositores, além das incertezas de votos que levaram a surpresas no segundo turno, que muitos acreditavam pertencer a Marina Silva. O poder político construído pela forte figura de Lula foi, aos poucos, sendo desmantelado e enfraquecido pelo governo Dilma.

O desafio de Dilma nesse governo é o de ser política, pois deixou um primeiro mandato com apoiadores descontentes e opositores fortificados dentro do cenário político. A nova formação conservadora do Congresso Nacional demonstra um país insatisfeito e, quando o descontentamento se aproxima da despolitização, figuras como Bolsonaro e Feliciano reaparecem.

São importantes as trocas de poder na democracia, mas tendo ganhado a presidência da república com margem tão pequena de votos, Dilma deve refletir sobre sua atuação. Ao contrário, o que se vê é continuísmo com um toque de agrado aos setores de direita. É importante haver construções entre a direita e a esquerda, já que essa é a base da democracia, mas é necessário que os alinhamentos sejam inteligentes. Sinalizar a senadora Kátia Abreu, por exemplo, como Ministra da Agricultura é um erro que pode afastar ainda mais o governo petista de movimentos sociais e de setores industriais receosos com o pragmatismo de Kátia Abreu por um país agroexportador.

A maneira de agir de Dilma Rousseff parece comprovar o que é dito nos bastidores, de que ela é uma mulher que acredita estar 100 por cento com a razão em todos os momentos. O problema é que para governar, ou melhor, liderar, é necessário escutar e questionar-se para que decisões sejam tomadas em conjunto. O segundo turno vencido a custas de poucos votos com pitadas de impeachment foi visto por Dilma como um carimbo de que suas políticas anteriores estavam certas. E dá-lhe reforçá-las!

 

 

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