O eterno comportamento patriarcal

A sociedade brasileira vive um eterno comportamento ruralista. No século XIX, na casa-grande, eram formados os doutores que governariam o país. E não apenas. Seriam também os escolhidos para serem donos da terra, do capital e do trabalho. Nada mudou. As pessoas decidem seu futuro com escolhas do passado. E no Brasil o que vale não é o trabalho. Aqui, a real fortuna é o poder.

A mentalidade nacional não se modificou ao longo dos anos. Não importa a crise econômica ou institucional que passa o país, a oligarquia permanece a mesma formadora de atrasos da época colonial. O imposto sobre a propriedade rural é um dos menores do país, o imposto progressivo afeta apenas a classe média e o pobre é tratado como número, taxa, ou qualquer coisa que o desumanize. Todos querem ser doutores, a dizer: médico, advogado ou engenheiro. Toda profissão afora desse quadro não são profissões. Ter terras ainda significa status e não produção.

As heranças continuam a contribuir com a desigualdade do país. Não, você não é merecedor de coisa alguma, se tudo o que tem veio da força de trabalho de uma classe opressora. Há responsabilidade com os negros, que um dia foram escravos de algum membro de sua família. Responsabilidade com quem é mais pobre, porque por mais que cheguem a um patamar igual ao mais rico, sempre terão que enfrentar mais obstáculos por não serem do círculo da casa-grande. Não é fácil, em uma sociedade baseada no poder e não na riqueza, sair da senzala e passar a frequentar a casa-grande, não como subalterno, mas como igual.

Essas questões devem ser discutidas na sociedade brasileira, que clama por mudanças, mas inibe qualquer tentativa de modificar as estruturas. É o momento de as pessoas perceberem que oprimem no momento que herdam, não apenas dinheiro, mas também a estrutura patriarcal de seus antepassados.

Todos os males mais citados do Brasil: criminalidade, corrupção, miséria e dependência externa são reflexos da desigualdade propagada há séculos. Como um círculo vicioso, as famílias brasileiras propagam o passado e não fazem o exercício de pensar, não toda a complexa estrutura do país, mas ao menos a de sua própria família. Para combater a desigualdade quem está em baixo deve subir. Se quem está no topo estivesse disposto a estender a mão, talvez isso fosse possível.

Deixe uma resposta