O eleitorado contra o inimigo

Em plena campanha eleitoral, o país revela como pensa o cidadão norte-americano para o mundo. O clima de recessão econômica cria condições para o cidadão comum se sentir ressentido com o establishment neoliberal e, nesse contexto, figuras autoritárias ganham destaque como os sujeitos capazes de interferir nas regras do jogo.

O país caminha de mãos dadas com a Europa e se apega a políticas nacionalistas e de extrema-direita, como se deu no passado com Margaret Thatcher no Reino Unido e posteriormente a posse de Ronald Reagan na presidência.

No caso das eleições norte-americanas não há um embate entre esquerda e direita como se dá  por aqui entre PT e PSDB, lá disputam dois candidatos conservadores, e um deles parece disposto a grandes mudanças nas políticas nacionais. Já o outro, ou outra melhor dizendo, coloca-se como adversária às promessas de Trump, porém sem apresentar um plano de governabilidade consistente.

Caso Hilary Clinton ganhe a presidência, há chances de uma coalizão com as minorias raciais atacadas por seu adversário, mas sem garantias de melhorias sociais concretas. Sua imagem ainda se vincula a suspeitas de corrupção do governo de Bill Clinton, seu ex-marido, o que compromete sua confiabilidade com o eleitorado.

A mensagem da democrata para mobilizar o eleitorado limitou-se a alertar o risco que o candidato republicano representa para a democracia. Vale lembrar, Donald Trump não é um candidato animador nem para as relações diplomáticas norte-americanas, nem para Wall Street, haja vista que o mercado oscila com a incerteza política criada com suas declarações polêmicas. Existem dois candidatos disputando pelo melhor inimigo; o inimigo de Hilary é Trump e o de o Trump são os mexicanos, os muçulmanos, os direitos sociais, a mulher, os ecologistas e por assim em diante.

Tomando como base nosso país, sabe-se que os ingredientes de ódio são os melhores aditivos para a adesão popular de uma causa, ainda que a população não se beneficie em nada com isso. Ao que parece, grita mais alto no povo a vontade de apontar um culpado do que remediar a necessidade.

O grande perigo dessa eleição norte-americana não é exatamente a figura do magnata republicano, candidatos mirabolantes e megalomaníacos sempre existirão, o assustador é o eleitor de um sujeito como ele.

Os votos de Trump vêm de pessoas dispostas a encurralar minorias sociais e se encaixar em qualquer política xenófoba equivocada diante do mínimo e mais pobre argumento discursivo de ódio. São muitos os simpatizantes do empresário, quase metade da nação mais poderosa do mundo, e aí sim mora o perigo real.

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