O dia cívico da Maria vai com as outras

Compreender o jogo político brasileiro nunca foi tão complicado. Assim como está cada vez mais difícil escrever sobre política sem cair nas obviedades dos acontecimentos e/ou tomar partidos. De qualquer maneira, é mais do que urgente e necessário falar sobre a situação a qual nos encontramos, apesar dessa situação em si não estar muito clara.

No cabo de guerra oposição versus governo, a população pouco politizada e dada a uma boa briga engrossa os ânimos do Planalto. Nas últimas passeatas pró e contra impeachment, pôde-se observar um público extremamente heterogêneo, em relação a anseios políticos, repetir em uníssono o ditame de ordem vindo da caixa de som.

De um lado, a possibilidade de impeachment da presidenta. De outro, a investigação federal cada dia mais suspeita em seus fins e métodos. Daqui, Eduardo Cunha articulando a derrubada da presidenta. De lá, Lula de volta ao cenário político. À direita, a classe privilegiada com camisa da CBF em protesto contra a corrupção. À esquerda, comício do PT convencendo o povo de que ainda haveria tempo para o PT ser para o povo, ao meio o escudo da PM separando as “torcidas”, e os exemplos do toma lá, dá cá são diários e intermináveis.

Um povo sobremaneira mal informado protesta contra os escândalos de corrupção conectando-os à figura da presidenta e do ex-presidente quando na linha sucessória está Michel Temer (PMDB), acusado de corrupção ativa e passiva em esquema no Porto de Santos. Portanto, se a necessidade é limpar a cadeira presidencial da corrupção, o impeachment resolveria? Nada. Então, de maneira pontual, o que a saída de Dilma traz ao cenário político? O PMDB no executivo, o mesmo partido de Eduardo Cunha, persona non grata a qualquer brasileiro minimamente consciente com o coletivo.

Por que a população insiste com a fantasia de que a derrubada da presidenta seria a primeira ferramenta para livrar o país da corrupção? Livrar a presidência do PT não significa nem por um segundo limpar a máquina administrativa dos seus favoritismos, financiamentos pessoais e desvios de verba pública. A corrupção é suprapartidária.

Existem pessoas do PT em esquema de corrupção? Sim, existem, e elas devem ser punidas. Porém, de que forma? A qual preço? Ferindo a democracia ao deslegitimar o resultado das urnas? A readequação dos partidos no poder nada resolve a questão ética administrativa. Voltemos à linha de sucessão, Temer e depois Cunha.

No momento, longe das eleições presidenciais, nós brasileiros somos apenas massa de manobra, números do Datafolha, camisetas ambulantes e coro nas passeatas. No entanto, mais do que nunca, o momento pede para termos consciência da nossa singularidade de opinião e do quanto nossa voz se dissolve embaixo de palavras de ordem.

O ideal seria se todos fossem para a rua com como gente autônoma, não em fila indiana ou na onda dos noticiários. Para, ao menos, tentarem ser indivíduos livres e pensantes, como teoricamente são. Bom, teoricamente.

3 respostas para “O dia cívico da Maria vai com as outras”

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