O comando e seu preço

Manifestantes vão às ruas na Venezuela reivindicar melhorias na qualidade de vida social e econômica do país. Essa necessidade é legítima e os assuntos estão relacionados com a falta de segurança pública e com a escassez de produtos no mercado, além dos altos índices de inflação que o governo enfrenta no momento. Porém, assim como no Brasil, grupos políticos estão presentes nas passeatas para imporem suas demandas.

Na última semana, o líder de oposição Leopoldo López e a deputada Maria Corina Machado participaram das passeatas. O slogan da ocasião foi “a saída”, uma insinuação para a queda de Nicolás Maduro.

A Justiça emitiu uma ordem de prisão para Leopoldo López, com a justificativa de que ele seria um dos organizadores do protesto de quarta-feira 12, que causou a morte de três manifestantes. Também será julgado por: instigação ao delito, vandalismo em propriedade pública e lesões graves. Foram indiciados também Iván Carratú Molina e Fernando Gerbassi, vice-almirante aposentado e ex-diplomata de oposição.

A oposição conservadora parece seguir duas linhas diferentes em relação às passeatas e aos acontecimentos de quarta-feira. Henrique Capriles, governador do estado venezuelano de Miranda e ex-candidato presidencial, prefere o diálogo entre as partes e teme que o aumento da violência cause mais mortes e invalide as manifestações. Já López acredita que pode desestabilizar Maduro por meio dos levantes populares.

O opositor divulgou neste domingo 16, uma mensagem de vídeo pedindo ao povo venezuelano que saia às ruas para acompanhá-lo em uma marcha até o Ministério do Interior, na terça-feira 18, quando responderá às acusações feitas pela Justiça contra ele. López é o atual presidente do partido Vontade Popular.

O que devemos examinar é a que preço sairá essa troca de comando? Nos protestos apoiados por Capriles após a decisão eleitoral, houve pelo menos oito mortes.

Maduro não tem a mesma força popular que Chávez e a oposição sabe disso. No entanto, o presidente não sairá de seu posto sem uma boa briga, talvez uma guerra civil. Não há como adivinhar o desfecho dessa situação. Em um país que comanda uma imensidão de petróleo, só nos resta o imprevisível.

Os interesses não faltam.

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