O caso Brasil Uruguai

No próximo domingo, dia 30, haverá o segundo turno das eleições presidenciais no Uruguai. País que tanto se destacou nos últimos anos pela legalização do aborto, do casamento entre homossexuais e pelo pioneirismo em relação ao comércio e ao cultivo da maconha. Medidas defendidas pela Frente Ampla, partido de José “Pepe” Mujica, e representadas pelo antecessor e atual candidato à presidência, Tabaré Vázquez.

Apesar de Vázquez despontar como o favorito na intenção de votos, a reviravolta das urnas no primeiro turno traz um cenário muito semelhante ao que se sucedeu nas eleições presidenciais brasileiras. A contagem do primeiro turno apontou que a quantidade de votos dos outros dois candidatos, Luis Alberto Lacalle Pou, do Partido Nacional, e Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, se permanecerem contrárias à coalizão governamental Frente Ampla, poderão mudar os rumos da política.

A grande aposta da oposição é o candidato Lacalle Pou. O político é apontado como um homem jovem, capaz de reciclar as decisões de governo em favor dos setores mais conservadores da sociedade uruguaia. Trata-se de uma proposta de governo em alinhamento com os centros tradicionais do capitalismo mundial, União Europeia e, principalmente, Estados Unidos.

Lacalle teve um progressivo aumento nas pesquisas por defender a contrarreforma liberal de Vázquez e Mujica. Dentre as propostas para a sua gestão de governo está a de anular a lei de liberação e cultivo da maconha.

A analogia com o cenário brasileiro também se dá em relação à lei da maioridade penal, assim como Aécio Neves defendia, Lacalle propõe reduzir de 18 para 16 anos o limite etário para os encargos carcerários. O candidato uruguaio justifica que a medida reduziria os índices de violência do país. Números muito baixos comparado com os padrões brasileiros, mas que representam um dos maiores desafios do Uruguai no momento.

Vázquez toma vantagem porque a população já sabe o que esperar de seu governo e a popularidade de “Pepe” acaba por influenciar as decisões do eleitorado, assim como a figura carismática do ex-presidente Lula auxiliou Dilma na campanha de 2010 e 2014.

E as paridades não param. Um governo continuado de caráter social e uma oposição conservadora lutando para voltar às cadeiras presidenciais. A pergunta que paira: Teríamos mais uma semelhança com o governo Uruguaio? Será que podemos chamar a Frente Ampla de uma representação de esquerda? Ou seria essa característica mais uma semelhança com o Partido dos Trabalhadores (PT) que em suma já não faz por merecido o título que tem.

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