O Abraço da Serpente

Do alto, o rio Amazonas transfigura-se no abraço de uma serpente e nada além de água e mata pode ser avistado. O Abraço da Serpente, filme premiado do cineasta colombiano Ciro Guerra é uma obra prima ficcional atemporal e uma crítica à exploração e entendimento dos povos indígenas.

O longa conta a história da chegada de um explorador holandês à Amazônia  afim de realizar pesquisas botânicas. O filme se passa em dois tempos, o do começo do século XX e o atual, mostrando o início do contato do homem branco com os povos indígenas da região e a dominação do capital e da religião europeia na Amazônia de hoje. O objetivo do europeu que retorna anos depois é procurar uma planta que faz com que as pessoas voltem a sonhar.

A película é filmada em preto e branco, talvez para mostrar que a Amazônia não necessita de cores para ser vista. Os atores que fazem o papel de indígenas nunca atuaram antes, e alguns nunca foram ao cinema – pertencem a comunidades locais na Amazônia colombiana e expressam sua identidade mais forte que qualquer representação.

Em um ponto do filme, o personagem Karamakate discute com o etnólogo, pois este não queria deixar sua bússola em uma aldeia, porque para ele os indígenas perderiam o aprendizado de se guiar pelos céus. Karamakate diz que o branco tem mania de achar que índio não pode entender a tecnologia e se o fizer vai esquecer sua cultura.

A exploração pela terra indígena e o contato do branco é demonstrado no filme. Karamakate escolhe o isolamento para conservar a sabedoria de seus ancestrais. Contudo, cultura e direitos indígenas perpassam o contato com o branco. Saber usar a bússola não significa perder a sabedoria de guiar-se pelo sol e as estrelas. A crença de que o indígena deve estar isolado do homem branco para que conserve sua características serve apenas para descaracterizar e oprimir os povos indígenas na luta pelo território que lhes pertence. É possível fazer uso de aspectos do homem branco sem perder sua essência.

Outro ponto forte do longa colombiano é a afirmação de Karamakate de que o caminho a ser percorrido está nos sonhos, e que quando se deixa de sonhar, as pessoas se perdem. É como se aqueles que não acreditassem nos sonhos se distanciassem de si.

A falta de sabedoria do homem branco contrasta o tempo todo com os costumes indígenas. A falta de sabedoria do homem branco contrasta o tempo todo com os costumes indígenas. O filme foi o primeiro longa colombiano indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Escolha justa, O Abraço da Serpente toca em pontos fundamentais para que todos entendam e respeitem a cultura indígena.

 

 

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