Nossas Mudanças Climáticas

Na semana passada, o mundo assistiu a mais um tufão que tomou a costa filipina e deixou quase 2 milhões de pessoas desabrigadas e ao menos 30 mortas. O país recebe pelo menos 20 tufões por ano. Em 2013, o tufão Hayan deixou cerca de 10.000 mortos na ilha. O número desses fenômenos naturais aumenta e ganha força, assim como as discussões sobre mudanças climáticas, que passa a obter consenso na comunidade científica. Se os céticos precisavam de provas concretas do aquecimento global, as mortes e perdas irreparáveis dos tufões na ilha podem lhes servir.

“Para quem continua a negar a realidade que é a mudança climática, eu desafio a sair de sua torre de marfim e ficar longe do conforto da sua poltrona!” afirmou Yeb Sano, chefe da delegação filipina, na COP19, em Varsóvia. Pela primeira vez, um discurso em defesa da reversão das mudanças climáticas emocionou o mundo todo. O relato de Sano sobre as mortes e falta de comida na ilha tornaram as catástrofes climáticas mais próximas de cada um e fizeram com que a população, ao menos, revirasse em seus sofás.

Tufões, ciclones e tornados são o mesmo fenômeno climático que recebem diferentes denominações a depender da localização em que acontecem. Um dos componentes necessários para a formação de tufões é o aquecimento do mar, por isso a ocorrência em águas tropicais. O aquecimento global, dessa maneira, contribui para tornar menos esporádico esse fenômeno natural, pois um dos componentes para a ocorrência do tufão – o aquecimento dos mares – está tornando-o mais frequente.

As Filipinas são apenas um pequeno país, entre tantos outro que sofrem com catástrofes climáticas. Enchentes, secas e tsunamis causam deslocamento e falta de alimento. Sem mencionar as perdas econômicas que podem levar todo um país à estagnação.

Mesmo assim, os investimentos são direcionados para os combustíveis fósseis e a indústria automobilística que pouco pensam nos habitantes afetados pela poluição e no nível de emissões de suas atividades. O importante é o aumento do PIB do país. Porém, as perdas com o aquecimento global já podem ser analisadas. O dinheiro do governo para subsidiar indústrias irresponsáveis não tem retorno, pois é gasto com saúde e devastações.

As empresas são direcionadas para o lucro, portanto, é responsabilidade dos governos assumirem compromissos para aumentar energias renováveis e diminuir os efeitos negativos da indústria. Como disse Sano, “nós podemos parar essa loucura”. Sano teve familiares afetados pelo Hayan e chorou em plenária. A sociedade civil deve demandar aos governos mudanças para que as perdas de Sano não sejam em vão.

 

 

 

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