Marina X Dilma

A eleição de 2014 está repleta de surpresas e situações inesperadas. A morte do candidato Eduardo Campos, do PSB, possibilitou a candidatura de Marina Silva, vice-presidente na chapa, o que mudou as intenções de votos dos brasileiros. Algumas semanas após o PSB confirmar a candidatura de Marina Silva, pesquisas Datafolha e Ibope mostraram o empate técnico entre Marina Silva e Dilma Rousseff. Mais que uma simples disputa eleitoral, um possível segundo turno com duas mulheres representa mudanças e avanços para o Brasil.

O provável segundo turno dessas eleições será representado por mulheres, gênero que apenas obteve o direito ao voto no Brasil em 1932. Trata-se de uma conquista em um país em que a violência contra a mulher e a desigualdade de gênero ainda é realidade corrente.

Dilma Rousseff é atual presidente do país e ex-integrante de organizações de combate ao regime militar. Passou três anos presa no presídio Tiradentes, em São Paulo. Economista, ela representa a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da república no Brasil. Marina Silva nasceu no Acre e desde pequena ajudou a família na extração do látex. Trabalhou como empregada doméstica para sustentar seus estudos e foi uma das senadoras mais jovens a ser eleita, com apenas 36 anos.

Além de mulheres, essas duas personagens que despontam como preferidas na corrida eleitoral possuem uma história de vida diferente da maioria dos presidentes que chegaram ao Planalto. Vieram da luta armada e do ativismo ambiental. Dilma foi presa e torturada, e Marina, apesar da pobreza e miséria no Acre, dedicou a vida à política e hoje concorre, com chances de vencer, ao mais alto cargo político brasileiro.

A presidenta escolhida entre as duas candidatas pode não realizar um bom governo, mas representa a mudança. Mesmo que ter duas mulheres disputando o segundo turno eleitoral possa ser uma conquista simbólica e passageira, vale dar o valor a esse novo fenômeno. Esse talvez não seja um fato que modificará as estruturas políticas brasileiras, mas vai mudar a mentalidade da sociedade, que deverá, em outubro, pela primeira vez, ter que escolher entre duas mulheres.

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