Luis Poirot sobre amor e registro

Em 2014 Luis Poirot comemora 50 anos de carreira, e para homenagear essa trajetória de vida dedicada ao registro, o fotógrafo chileno preparou a exposição Un Retrato, Fotografías 1998 – 2014. Essa é a terceira mostra do artista no Museu Nacional de Bellas Artes em Santiago, Chile. A exibição acontece entre os dias 20 de agosto e 16 de novembro na sala Matta.

Trata-se de mais de 15 anos de registro fotográfico da mesma mulher na intenção de congelar lembranças por meio da fotografia. Uma busca incessante da imagem que definiria a vida ao lado de Fernanda Larraín, mulher e musa de Poirot, mãe dos dois filhos do casal. “Nunca se sabe como nasce o amor, se começou com as fotos ou se foi o sentimento que me levou ao registro obsessivo”, esclarece o artista.

Poirot produziu cerca de 7 mil negativos com imagens de Fernanda em diferentes estágios da vida, desde a jovem de cabelos compridos até a mulher madura e mãe. Desses registros, que cobrem um período de 15 anos, apenas 180 ampliações foram selecionadas para a mostra.

A ideia de registrar uma musa ao longo do tempo não é novidade no mundo fotográfico, outros nomes como Alfred Stieglitz, Edward Weston e Ralph Gibson tiveram a mesma proposta, porém nunca em um período de tempo tão extenso e sem a preocupação de fazer dos retratos algum trabalho fotográfico. Poirot explica que não sabe de onde veio a ideia de reunir as imagens, assim como não sabe dizer, nem quando e nem como, resolveu dedicar-se por inteiro à arte fotográfica, “sou fotógrafo porque sinto a necessidade do registro.”

Todos os retratos são feitos por máquina analógica e ampliados pelo próprio fotógrafo em papel de fibra e de algodão. “Trabalho com filme preto e branco porque nele estão todas as cores do imaginário. Eu mesmo faço as ampliações, a riqueza de tons não se compara com as impressões digitais”. E acrescenta: “Necessito de um tempo entre o momento de registro e a revelação, um espaço latente onde tudo paira.”

O poeta chileno Raúl Zurita define a exibição Un Retrato: “(…) como se julgássemos ser Deus tratando de reter a vida, essas imagens nos indicam que o rosto que amamos é exatamente esse rosto, porque em sua singularidade estão contidos os semblantes da humanidade inteira.”

É difícil compreender a obsessão de Poirot ao fotografar Fernanda por tanto tempo, nunca tomando o mesmo caminho pelas mesmas curvas, fazendo o registro de todas as interferência do tempo imagináveis de serem capturadas.

No entanto, um fato nessa história a dois é indiscutível. Se for possível capturar o sentimento amor pela luz que se reflete do objeto amado; em Un Retrato Poirot o fez. E o fez por ela.

Em cartaz:

Luis Poirot

Un Retrato, Fotografías 1998 -2014

Sala Matta, Museu Nacional de Bellas Artes, Metro Bellas Artes.

Santiago, Chile.

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