Laudato si e o papa que defende pessoas

Encíclicas são documentos do papa dirigidos para todos os bispos da igreja católica. Nelas, há as diretrizes da igreja que serão, posteriormente, passadas aos fiéis. No dia 18, o papa Francisco circulou a primeira encíclica da história do catolicismo que fala sobre meio ambiente. Essas cartas papais representam o pensamento do momento atual e exercem influência sobre a sociedade. A encíclica Laudato si une meio ambiente e direito social, fortalecendo a discussão sobre o uso sustentável dos recursos terrestres e questionando o modo de consumo capitalista.

Laudato si significa “louvado seja” e é a segunda encíclica do papa Francisco. Natural da Argentina, o novo papa em seus discursos e cartas representa o sentimento do povo latino americano, que sofreu com a opressão e a carência de direitos. A nova encíclica não é diferente. Em parte dela, Francisco afirma que “há uma verdadeira «dívida ecológica», particularmente entre o Norte e o Sul, ligada a desequilíbrios comerciais com consequências no âmbito ecológico e com o uso desproporcionado dos recursos naturais efetuado historicamente por alguns países”.

A encíclica significa a mudança dos dogmas da igreja. Diferente do que o republicano Jed Bush afirmou – de que o papa deveria se limitar a tratar de assuntos da fé e moral -, a igreja católica sempre teve opiniões e influências políticas nas relações internacionais, afinal, constitui um estado monárquico que faz parte do direito internacional entre países. A encíclica posiciona a igreja quanto às mudanças climáticas. Mais que uma carta a fiéis, essa é a posição da única monarquia que possui súditos em todos os países do mundo.

A igreja católica solta a encíclica antes da Conferência do Clima de Paris e, com ela, se posiciona frente às mudanças climáticas, afirmando veementemente que o modelo econômico atual é o principal causador das mazelas mundiais. O capitalismo baseado no consumo desenfreado acaba com os recursos naturais ao tratar a água e o solo como mercadoria. Sobre a água, afirma que ela é um direito e não pode ser privatizada. Os recursos essenciais à vida não podem ser vendidos, pois nessa ótica os mais pobres é quem sofrem por constituírem a periferia do sistema.

A importância dessa encíclica serve para que os países escolham os rumos que querem tomar, defender a população ou as grandes corporações. A privatização do meio ambiente gerou apartheid entre aqueles que possuem os bens essenciais à vida e os milhões que sofrem com a carência de alimento e água. O Papa de hoje defende os mais fracos, mas nem sempre foi assim na igreja católica. A esperança é que os líderes políticos tenham o mesmo destino das lideranças católicas e passem, no futuro que se espera ser breve, a priorizar o meio ambiente e, com isso, a população.

 

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