Jogada de mestre

Uma surpresa notável fechou o ano de 2014 no âmbito das políticas internacionais. Estados Unidos e Cuba, duas nações rivais desde 1960, reataram as relações diplomáticas dando fim ao último resquício da Guerra Fria na América.

Para os observadores do quadro internacional, a notícias não veio com ares de novidade. Em 2009, Obama mencionou o caso como uma de suas frentes de campanha eleitoral, angariando a simpatia da população latina, principalmente na Flórida, onde a maioria da população costuma votar nos republicanos, o partido de oposição.

A população latina nos Estados Unidos tende a crescer nos próximos anos e representa uma boa parcela dos votos, aquele que souber atender essa comunidade tem garantido sua continuidade governamental.

Outro fato marcante foi o aperto de mão amistoso entre Obama e Raúl Castro no enterro de Nelson Mandela. Na ocasião, especulou-se que os dois mantinham diálogo velado e, agora, as suspeitas confirmam. Castro e Obama negociavam a volta das relações entre os dois países há quase um ano.

De acordo com Celso Amorin, diplomata e atual Ministro da Defesa, o Brasil já previa a abertura gradual de Cuba: “O Brasil se declarava disposto a ajudar Cuba a inserir-se de modo positivo na economia mundial”. E acrescenta: “Mariel era parte desse quadro e por essa razão, entre outras, tinha o apoio político do governo brasileiro”. Ele também aponta que além de incentivar a ilha a se projetar no cenário internacional, com o Porto de Mariel, o Brasil tira vantagem na nova fatia de mercado.

A queda do embargo econômico ainda precisa ser votada pelo senado norte-americano. Há muitas chances de não passar pelo crivo dos republicanos, até mesmo dentro do partido do presidente, os democratas.  Antigos rancores dividem opiniões.

De qualquer forma, apontar na direção em que há o benefício das comunidades hispânicas é garantir o eleitorado nas próximas eleições  e, de quebra, ainda projetar a imagem dos Estados Unidos de maneira menos negativa para os países latinos. Obama errou com os drones, mas agora tem a chance de se redimir e entrar para a história com a questão do Irã e de Cuba.

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