Humor idiótico

Eis que, na mesa do bar, mais uma piada homofóbica é contada. Gargalhadas dominam o ambiente. Ter um amigo gay casado, de repente, vira uma piada e uma zombação sem limite. A comunicação se rompe. O idiota e seus colegas passam a alternar piadas com diversos focos de preconceito. É um humor estúpido e intolerante, repassado de pai para filho, que alimenta agressões diversas na esfera social.

Danilo Gentili, apresentador da TV Bandeirantes, é um expoente em ascensão do humor idiota. O prejulgamento do auto intitulado humorista é contra nordestinos, negros, gays, lésbicas, deficientes, mulheres, entre uma variedade de pessoas com características diferentes das dele, que deve ser a de um ariano heterossexual de elite.

A melhor definição do humor idiota foi dada pelo jornalista Rogério Tomaz Jr, autor do blog Conexão Brasília Maranhão. A afirmação foi sobre Gentili, mas acredito que se enquadra bem para todos que seguem a mesma vertente idiótica. Ele diz que Gentili parece “como alguém cujo ‘talento’ depende da existência de imbecis como ele para se alimentarem continuamente do preconceito, da discriminação e da ignorância”.

A existência desse tipo de brincadeira depende da aceitação das pessoas. Há um ciclo da imbecilidade humorística que alimenta divisões sociais das mais variadas. A brincadeira não é engraçada, pois é agressiva. Não há humor em enquadrar pessoas em perfis sustentados pelo patriarcalismo. Não há riso em relembrar por meio de piadas a ótica invertida que consagra a dominação do homem branco sobre tudo e todos.

Esse texto não é sobre meu colega ou sobre um apresentador que pensa ser humorista, é sobre não deixar passar com um sorriso amarelo esse tipo de “brincadeira”. Se alguém pensa ter o direito de zombar dos direitos dos outros, deve também dar gargalhadas quando apontarmos o ridículo de ser um status quo ambulante, um disseminador da discriminação, um propagador de uma mentalidade retrógrada designado a proferir estupidez.

A tolerância à discriminação deve ser zero. O ciclo que a alimenta deve ser rompido. Não, a sua piada sobre negros não é engraçada, na verdade é de uma grande estupidez. Como diria Caetano – “tu é burro”, tão burro que nem consigo te entender, porque suas palavras são burras. O preconceito é burro e sem grança.

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